quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Qual foi o saldo?

Balanço de fim de ano? Planos para 2011?
Estou em fase de balanços diários e planos de curtíssimo prazo.
Se é mais efetivo?
Acho que sim.
Planos de médio e longo prazo também podem ser bem sucedidos, tendo-se o cuidado de fazer os devidos ajustes no caminho tortuoso até o objetivo.
Mas - sempre o mas - é preciso possuir os recursos mínimos antes de começar a arquitetar uma estratégia para um sonho mais alto, recursos que agora não possuo.
Não, não estou reclamando.
Os planos de curto prazo realizados podem ser degraus, uma pequena parte da estrada traçada para um desejo mais ambicioso.
Cuidar para que o menino esteja sempre com saúde, tenha boa educação, dar-lhe muito amor e carinho, serão determinantes para que seja feliz agora e no futuro, é ou não é?
Cuidar da saúde, física e mental, no dia a dia vai tornar a velhice e os anos que vem antes dela mais amenos e até mais animados.
Demonstrações de afeto, estar próximo do marido, do filho, da família e dos amigos, algum controle financeiro, tudo isso terá seu retorno também a longo prazo.
Manter firme e forte o que de bom foi realizado em 2010 e largar de mão o que não foi.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Num velho livro, que surpresa agradável

Num livro de páginas amareladas pelo tempo, herdado e esquecido num canto de nossa pequena biblioteca, descobri a história de um homem. Ri e chorei vendo seus filmes, seus personagens, mas não conhecia nada da sua vida. Aqui um pequeno resumo do que li.

Charles Spencer Chaplin nasceu em Londres, filho de um cantor e uma bailarina. Órfão de pai aos 5 anos, aos 7 vai para um asilo-orfanato com o meio-irmão Sidney, onde ficam por dois anos, até reencontrarem sua mãe agora "curada" de mal psiquiátrico. Aos 11 anos, sua mãe tem novas crises e é internada. Sozinho, sem casa e sem trabalho, dorme nas ruas e procura cachês nos music-halls.

Desde muito cedo, com apenas 9 anos, já se apresenta pelos music-halls londrinos. O irmão Sidney, aos 21 anos, torna-se empresário de Charles (17 anos) e orienta-o para o cômico. Aos 24 anos deixa a Inglaterra e  em Los Angeles  inicia a carreira cinematográfica. Entre 16 e 19 de janeiro de 1914 faz seu primeiro filme, Making a Living. Em 1917, já com 62 filmes feitos, inicia a construção do Estúdio Chaplin no Sunset Boulevard em Hollywood.  As cifras aumentam. O método de filmar uma cena inúmeras vezes chega ao extremo em The Kid no qual algumas cenas são filmadas mais de 100 vezes. Em 1928, toma partido contra o cinema falado, para em seguida reiniciar as filmangens de City Lights como fita sonora. Em 1932, embarca para a Europa para apresentar City Lights e encontra-se com personalidades literárias, políticas e teatrais - Bernard Shaw, Lady Astor, Winston Churchill, príncipe de Gales, Gandhi). Às portas da Segunda Guerra Mundial prepara e inicia as filmagens do The Great Dictator.

Casa-se várias vezes. Em 1918, em segredo com a atriz Mildred Harris, 16 anos, da qual se separa no ano seguinte, após a morte do filho do casal aos três dias de vida. Em 1924, com Lita Grey que três anos depois inicia ação de divórcio reclamando 2 milhões por perdas e danos e 5 milhões pela parte dos bens do casal que tem dois filhos. Em 1933, outro casamento em segredo, com Paulette Levy, ficam juntos até 1942.  Em 1943, com 54 anos, Chaplin encontra Oona O'Neill, 18 anos, que quer fazer teatro e pede-lhe conselhos, casam-se em junho. Oona e Chaplin tiveram 8 filhos.

No campo político, Chaplin fez forte ataque à passividade americana ante o ataque de Hitler contra a URSS. Foi perseguido como vermelho de Hollywood, tendo sido pedida pela Câmara dos Representantes e pelo Senado em Washington, sua explusão dos Estados Unidos e a proibição de seus filmes. Ao ser assaltado por perguntas maldosas, numa conferência com jornalistas, em 1947, Chaplin responde: "Não penso que se deva dividir as pessoas em categorias segundo as suas opiniões. Isto conduz ao fascismo. Por minha parte, não pertenço a nenhum partido político. A vida tornou-se realmente demasiado técnica e cada um de nós deveria andar sempre com um guia das regras de etiqueta no bolso. Porque agora, basta descer um passeio com o pé esquerdo para se ser tido por comunista..." Com o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, Chaplin é citado plea Comissão de Atividades Anti-americanas, e a exibição do filme The Great Dictator é proibida na Argentina e em vários países da América Latina.

Charles morre em 1977, com 88 anos, na mansão Manoir de Ban, rodeado por Oona, 8 dos 10 filhos e 7 netos.
Os dois filhos mais velhos, Charles e Sidney, estiveram sempre por perto, trabalhando com o pai e em convívio com Oona e os irmãos.

Falando de sua mãe: "Foi olhando-a e observando-a que não só aprendi a traduzir as emoções com minhas mãos e meu rosto, mas também a estudar o homem."
Em outro trecho do mesmo artigo - Carlitos - Uma antologia - ele diz: "Todo o meu segredo foi o de ter mantido os olhos abertos e o espírito vigilante em relação a todos os incidentes capazes de serem utilizados em meus filmes: Estudei o homem porque, sem o conhecer, nada poderia ter feito na minha profissão."

"Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror."

Fonte:Chaplin por ele mesmo - Martin Claret

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Jorges e Georgias

Luka, e seu Azarado, fez lembrar dessas pessoas que cruzam a rua gesticulando e falando, não se sabe com quem, ou o que dizem, ou porquê, e que deixamos sumir pelo retrovisor.
Pele curtida do sol, cabelo duro de sujeira, rouspas rasgadas, tão magros que não se consegue saber se homem ou mulher.
O que teria acontecido, como vive, onde dorme, o que come, quando come, seu passado qual foi, e a família?
Tudo isso me pergunto, sabedora de que a fronteira entre sanidade e loucura é pequena, basta um passo.
É preciso ter experimentado ou presenciado um pouco disso para questionar?

Não precisam se preocupar com muito, é verdade.
E não há quem se preocupe com eles.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sinônimos

Engraçado. Engraçado, no que denota a palavra, não era, mas foi a que escolhi.
Na verdade era interessante, mas achei o termo pouco interessante para aquela situação.
O intento era dizer que achei bacana, legal, maneiro, sem usar gírias, achei ...
Bom, bem colocado, cativante, curioso, aprazível, notável, sensacional, tudo isso, mas em outra palavra, mais comum, mais próxima.
Isso para comentar Vocações de Miguel Sanches, que achei curioso por ele descrever o que acontece em minha casa mas com papéis invertidos, porque o chef é Eduardo e eu, a ajudante.
E é também curioso, engraçado, como nos faltam as palavras, as que temos não nos agradam, não atendem.
Ler, ler mais, muito mais.
Por fim, acabei usando "engraçado" em seu sentido conotativo.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Onde a cólera?

Interessante como Raduan Nassar escreve em Um copo de cólera, seus parágrafos longos, os diálogos entre aspas no meio dos períodos repletos de pensamentos do protagonista, com seus c'oas, c'um, incomuns.
Não terminei a leitura, mas até aqui, parece-me inverosímel que numa discussão se usem os termos do livro.
Trata-se de uma jornalista e de um canalha letrado, sei, mas tais personalidades não brigariam em bom e baixo nível e alto e bom som como os demais mortais?
Ando me perdendo no raciocínio e linguagem intrincados desse homem que tenta controlar, sem muito sucesso, o fio da sua cólera.
Resta pedir ajuda a literata da família: Lucinha, socorro!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sem pressa

O sol de meio dia a pino, a cabeça latejando. Não devia estar com uma cara muito boa.
Ainda assim a senhora me parou quando eu andava em direção ao carro estacionado na rua próxima à empresa.
- Minha filha, porque quando a gente fica velha anda tão devagar?  Se eu estiver segurando o braço de alguém, como dessa menina que anda comigo, consigo acompanhar, mas sozinha...
- É mesmo? - ela está bem, porque minha mãe, muito mais nova, nem arrastada anda mais rápido.
- É, porque será?
E para que falar em velhice, doença?
- Mas também, pra que essa pressa toda não é mesmo? Vamos devagar, apreciando o dia. Gente nova é que só anda correndo, aperreada.
- É mesmo, e eu moro aqui pertinho. Bom dia, minha filha, Deus te acompanhe. Até mais.
- Amém. Até logo.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Férias da meninice

Coisa mais divertida era tirar todos os calçados da antiga sapateira da vovó.
Calça-los, desfilar pela casa.
Nessas horas vovó contava os dias para o fim das férias e o retorno da sua paz, rotineira, inflexível.
Inez já mostrava seu interesse pelos bichos e espalhava açúcar pelo chão, num caminho até a porta, para assim poder observar as formigas com calma e conduzí-las à liberdade.
Vovó chamando tudo aquilo de arrumação.
- Que é mais que essas meninas vão inventar Maninha?
Subir no sapotizeiro e comer muitos frutos maduros e quentes.
Fazer a barba do vôvo com talco, cuspe e pente.
Passar o dia no sítio de Cascavel, assando castanha de caju, descascando e comendo mal esfriavam.
Tomando banho de poço, aos baldes.
Dias de praia, banhos de mar até não mais poder, com os primos que víamos uma vez por ano.
Aprendendo brincadeiras e toda sorte de danações.
Assim era, na meninice.

Férias em Fortaleza, 1977-1979

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Casinha Maldita

Um portãozinho simpático, pintado de branco, um corredor ocupado por um banco de madeira, debaixo da janela do quarto. No fim do corredor, a porta.
Casinha de vila.
Os móveis não condizem com o tamanho e a simplicidade do lugar.
O gesso do forro quebrado em vários pontos, alguns pedaços dependurados parecem prestes a cair, os fios de arame à mostra.
Na cozinha, improvisada num dos quartos, a mesa é demasiado grande, assim como os armários. O fogão enferrujado destoa.
Ali quase não há mais forro, as vigas e telhas aparecem.
Em dia de chuva, a casa é uma peneira.
Outro corredor leva ao que deveria ser cozinha, mas foi transformado em área de serviço.
Um varal toma conta deste corredor e do último compartimento.
No chão um motor barulhento puxa água do poço. Quando o motor quebra, a única forma de ter água é pegar com baldes direto do poço.
O único banheiro fica no fim da casa, com uma pequena janela, com astes de ferro como de prisão, aberta para o exterior, mal coberta por uma toalha.
Nenhuma privacidade. Pelos telhados das casas, andam homens, meninos.
Nos cantos desse último compartimento, buracos, pequenos buracos de ratos. Não havia veneno, nem cimento, nada impedia que eles proliferassem.
O quintal da casa que fazia limite com a casinha de vila era um criadouro desses bichos.
E eles tomavam conta de tudo. Durante à noite, passeavam pela casa, subiam no armário da cozinha, derrubavam latas de mantimentos, assustando mãe e filha que dormiam na sala.
Donos e habituados, passaram à sala, passeando por debaixo do sofá-cama e da rede.
Insone, a menina passava longas horas tentando espantar os bichos.
Foram muitos anos nesta casinha que habita os pesadelos das três meninas, que hoje moram em apartamentos, e não são mais meninas.

Casinha da Vila São Francisco, 1987-1996

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Frágil

Ontem mesmo, quatro desmaios, pressão muito baixa, ânsias.
O motivo? Não sabemos ainda.
Glicemia? Dentro dos limites da senoide administrável.
Comida estragada? Nenhum outro sintoma indica, exame de sangue normal, nem virose, nem infecção.
Gravidez? Duvido. Método noventa e nove vírgula noventa e nove por cento seguro, e meu menino, quando na barriga, só me fez sentir muita fome e muito sono.
E então? Agora começa a investigação para encontrar um culpado: se neurológico, se cardíaco, se estresse, ou outro motivo, ou nenhum.
Quando souber, digo aos que tiverem interesse e aos que não tiverem também. Vá lá lhes seja útil.
Lição? Hoje pessoas que cuidar, coisas que resolver, depois, bem, depois a vida segue sem mim.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Lembranças

Tinha um sonho recorrente quando era menina.
Sonhava que morávamos numa casa de fazenda, antiga, com um grande alpendre.
Nesse alpendre, numa cadeira de balanço, meu pai embalava um menino.
Esse menino era meu filho.
A mamãe e as meninas, eu não as via, mas estavam lá.
E eu olhava para meu pai e meu filho com um amor e um orgulho imensos.
Conversávamos e ele falava de planos para aquela terra que era dele e nossa.
Falava de detalhes, tais árvores frutíferas, tais leguminosas.
Não lembro bem, mas eu discutia com ele o que era melhor plantar.
E acordava com uma sensação boa e ruim aos mesmo tempo.

Mas deixemos nossos mortos em paz que os vivos requerem cuidados.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Gorda

Ia andando na rua preocupado com o carro no conserto.
- Marcelo!
Reconheci a voz, mas quando virei o rosto para ver quem me chamava, tomei um susto.
- Suzana! Quanto tempo!
Conversamos sobre trabalho, casamento, filhos, conversa rápida, encabulado. Eu completamente desconcertado.
Caramba, como está mudada, na verdade está enorme.
Quando namoramos, dez anos, é, acho que faz uns dez anos, ela era uma sílfide.
Magra, pernas grossas, sem barriga. Adorava esportes, calças jeans e camisetas.
Foi isso que me agradou logo de cara, a elegância dela.
Não era aquela beleza que chamava atenção, era discreta, usava sempre os cabelos presos, não usava decotes, mesmo porque tinha seios pequeninos, não andava rebolando, não usava roupas chamativas, coloridas, nem perfurmes fortes.
Era elegante, alta, magra, tudo durinho e no lugar.
E muito simpática, um sorriso e uma risada que me tiravam do sério.
Depois que terminamos não tive mais contato.
Soube quando se casou, soube quando engravidou, quando teve filho.
Lia seu blog vez ou outra.
Mas nunca poderia imaginar, não havia pistas, nem ninguém comentou, que ela havia engordado tanto.
Amigos da onça! Alguém podia ter me dito, assim eu poderia ter disfarçado a surpresa de vê-la tão diferente.
Fico pensando o que aconteceu, o que acontece com todos? Casamento, filho, doença? Não sei.
Eu até emagreci depois que nos separamos, acho bacana ser magro, esportivo. Só tinha me esquecido e ela me fez lembrar.
Daí pra frente todas as minhas namoradas eram como ela.
Passei dias, meses lembrando da decepção de vê-la tão diferente.
Preferia guardar a lembrança daquela linda mulher que conheci e amei.
Tenho certeza que isso não vai acontecer comigo, não vou deixar.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Teco

Davi fez teste de glicemia comigo.
Não, ele não está diabético.
Não, o diabetes mellitus tipo 1 não é hereditário, mas, sempre pode acontecer.
E esse era um dos meus maiores medos quando finalmente decidi engravidar de novo.
Para mim, que sei como é complicado conviver com a doença, seria ainda mais difícil cuidar de um filho com diabetes.
Outro dia eu estava com o glicosímetro, e ele muito curioso querendo pegar.
- Davi, mamãe está fazendo o teste.
- Teco, teco. - e mostrava o dedinho.
Então eu fiz.
Ele não reclamou do furinho no dedo, não se perturbou com o sangue, apertava mais o dedinho para ver outra gotinha.
Deixou-me fazer o procedimento bem quietinho, admirado.
- Pronto, Davi, olha, deu 89. Muito bom.
E agora, vez ou outra quando me vê fazendo o teste, diz teco, teco.
Qualquer dia está fazendo sozinho.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Pergunta da semana ... nº 12

Você é uma pessoa exigente?
Consigo, com os outros?
Como assim?

Inventador

Lá vai o menino, na bicicleta, a caminho da escola.
As mãos, além do guidom, seguram um caderno aberto e um lápis.
Enquanto pedala, tenta escrever no caderno.
Tarefa incompleta?
Invecionice de menino.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Carregador

Tinha muito que carregar.
Foi acumulando com o tempo.
Sentia orgulho.
De todos a quem amava, de cada um levava alguns.
Nunca o pediram e nem ele perguntou se queriam que ele os tomasse para si.
Nem precisava, era seu encargo, acreditava.
E foi ajuntando.
Confiante, inabalável.
Um dia cambaleou ante a carga, tropeçou e deixou cair, e caiu ele mesmo.
Ao levantar a cabeça, a viu, ela o olhava muito triste, magoada.
Estavam juntos nesse caminho.
Ela era seu sustentáculo, o motivo, a causa e o efeito.
E ele com muito esforço, levantou-se, machucado, dorido, e rápido ergueu o pacote.
Pediu perdão, disse que ainda tinha forças, que levaria sim, aquele bem tão precioso, sim, até o fim.
Ela, que sempre acreditou, agora duvidava.
Ele teve que admitir que era muito pesado o fardo e foi devolvendo uns pelo caminho: dos irmãos, da mãe, dos amigos.
Mas ainda assim parecia difícil, depois de tudo, penoso suportar.
Olhou para ela, olhos castanhos inquisidores.
Colheu com cuidado o volume e o devolveu.
Parecia ter compreendido que ninguém pode livrá-lo de seu fardo e ele não pode ser, não é, nem nunca foi na verdade, o livrador dos alheios.
Mas o tempo passou e ele voltou a amontoar cuidados.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Pedintes nossos de cada dia

- Filha, estou com vergonha de pedir, mas preciso de três e oitenta.
Setenta anos talvez, de óculos quadrados, roupas velhas porém limpas. Parecia mesmo sem jeito de ter que pedir.
Tirei os cinco reais que tinha na carteira e dei.
- É Deus, minha filha, só pode ser.
  Não tinha pedido a ninguém, estava sem coragem, você foi a primeira pessoa a quem pedi.
  Obrigada. - falou assim na carreira, com cara de gratidão e alívio.
- De nada. Faça bom uso.

Andava fazendo mungangos, no meio da pista, fazendo sinal para os carros passarem, com a flanela e o rodinho na mão.
Flanelinhas, esse garotos, ou nem tanto, que nos abordam nos sinais, oferecendo o serviço de limpeza dos vidros dianteiro e traseiro.
- Tia.
- Vem logo - grita o outro que vai adianta.
- Espera que a tia vai me dar o do lanche.
Tenho umas moedas separadas no carro.
- Ô um e cinquenta lindo!
Algumas pessoas que assistem do outro lado da calçada acham graça.
- E eu tia? - grita o outro.
- Dividam vocês - respondo, mas acho que nem me ouviram, já iam longe.

E espero que façam bom uso.
Se bem que o que é bom uso para eles pode não ser para mim.
Mas aí são outros cinco, outros um real e cinquenta.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

S.Bernardo

Não conheci nenhum Paulo Honório, conhecesse e talvez sentisse a mesma indignação de Madalena.
Estranho alguém como ele admitir ter estragado estupidamente sua vida, ter tratado a todos como bichos. Ser assim tão duro consigo. Natural seria enaltecer seus feitos, manter a impáfia, justificar sua história.
Talvez a morte de Madalena tenha mudado tudo.
E esta mulher, porque entre todas as recomendações deixadas antes de dar cabo de sua vida, nenhuma dizia sobre o filho?

Da leitura de S.Bernardo, romance de Graciliano Ramos.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Como bicho

Cabelinhos encaracolados, pele negra, pequenino, não chora quando a mãe o levanta pelo braço e lhe dá um tapa na mão. Algo como um grunhido, uma reclamação.
Feito bichos, desde muito cedo, na rudeza do trato.
Ainda quando parece chorar, um simulacro, não saem lágrimas dos olhos.
Mesmo porte, cor e cabelo, gêmeos, mas rostinhos diferentes. A menina é tratada com mais carinho.
Mãe jovem, tatuagens nas costas e pernas, roupa minúscula e colada no corpo redondo e sem cintura. Sempre séria. Não ouvi sua vez uma vez sequer. O olhar duro e o tapa eram suficientes para o adestramento.
A espera é difícil, o lugar quente, as crianças começavam a se irritar.
A menina agora é acalentada no colo, o menino recebe mais uns sopapos para ficar quieto e outro tapa por jogar no chão o bico, pela terceira vez.
Alguns, olhamos com interesse para a cena e para as crianças.
O menino recebe um carinho de um senhor que está sentado, se pai, avô, tio, não sei. Uma trégua.
Esse é que vai crescer para não saber sentir, viver na dureza, na peleja, talvez, quem sabe, um filho traga um pouco de doçura a sua vida, no futuro.
Por enquanto, é como bicho.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Otite

Dipirona, paracetamol ou ibuprofeno?
De quantas em quantas horas?
E se a febre não baixar?
Se a dor não passar?
Antiinflamatório no lugar do corticosteróide.
Manter o antibiótico.
Exames, de sangue.
Cromoglicato dissódico ou furoato de fluticasona?
Pode ser o genérico?
E se não melhorar?
Quantos dias aguardo os remédios começarem a fazer efeito?
Ave-Maria cheia de graça ...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Fumacinha

Do candeeiro encantado saiu um gênio poeta que me concedeu três poemas mágicos.
Com algumas condições, alguma limitações.
- Não alterar o passado nem antecipar o futuro.
E fiquei aqui pensando como escrever eu mesma poemas mágicos que iluminem o presente, e mandar o gênio às favas.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Pergunta da semana ... nº 9

Tens vergonha de pedir ajuda?

Notícias

Pode ser uma carta, simples ou registrada,
um e-mail, conciso ou prolixo,
um telegrama e pt,
pode até ser um recado no twitter,
mensagem por pombo correio,
não importa,
apenas me dê notícias,
mas por favor, não jogue uma garrafa com a missiva ao mar,
não posso contar com a sorte de dar de cara com ela em um mergulho qualquer.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pergunta da semana ... nº 8

Coisas que ainda estão longe de acontecer também lhe causam desassossego?

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Pelos céus da cidade

- Viu aquela kombi branca?
- Saiu do ferro velho para respirar ar fresco, só pode.
Kombi branca, umas janelas sem vidros, outras com o fumê dissolvido, transparente ao cinza escuro.
- Vamos seguir?
- Bora.
Porta-malas preso por cadeado aberto. Nenhuma lâmpada funcionando, nem do freio, nem do pisca.
- A lataria está só os cacos, mas o motor ainda faz bonito.
- Desbanca qualquer desses mil novos.
- Conseguiu ver a cara do motorista?
- De relance, bigode, óculos quadrados. Queria mesmo era ter visto melhor por dentro.
- Mas agora vamos sair daqui. Está esquentando.
- Bora. Tem uma sombrinha no telhado daquela casa acolá.
- Pru, pru.
- Pru, pru.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Tapinha educativo?

Está sendo chamada de lei da palmada. O Estatuto da Criança e do Adolescente já proibia maus-tratos, a nova lei prevê penalidades para os castigos corporais e tratamento cruel e degradante contra crianças e adolescentes.
Palmadas educativas, questão cultural, alguns são contra por achar uma intromissão indevida do Estado num assunto familiar e particular, outros apoiam a ideia mas admitem não cumpri-la.
Nenhuma pessoa de bem pode concordar com agressão, física ou verbal, contra uma criança.
Trago para mim e lembro das vezes em que recorri a esse expediente. Com certeza, nas cinco vezes em que aconteceu, foi por eu ter perdido a calma, quis impor meu ponto de vista e não ser mais contrariada.
Como, num momento de descontrole, causado pela raiva ou pelo susto, medir a força da palmadinha?
E qual foi o resultado? Meu filho, depois do susto e do choro, me abraçava e seu olhar me dizia que ele queria ter certeza de que eu ainda gostava dele.
O que a palmadinha ensinou? Que aquela era uma situação de risco ou que ele deve ter medo da mãe, medo da mãe ficar com raiva?
Poderia dizer que o fiz para evitar que ele sofra depois, evitar uma ameaça a sua saúde física. Mas as custas de que? De sua auto-estima, de sua saúde psicológica?
Uma vozinha diz: não seja tão dura consigo mesma, as crianças sobrevivem a tudo isso, e crescem, aprendem e serão adultos felizes. Mas quantas vezes eu ouvi meu marido contar de uma palmada que nunca esqueceu, e as imprecações e os insultos que minha mãe usava para nos convencer a obedecê-la, ainda vivas em minha memória.
Usar de atos e palavras para subjugar, ofender e oprimir ou dialogar com uma criança pequena como se faz com um adulto e esperar que ela entenda todos os porquês?
Tem que existir um meio termo entre o militar e o hippie.
Precisamos encontrar uma forma de mostrar que é sempre bom respeitar e algumas vezes é preciso obedecer, sem destruir a auto-estima, a confiança e a cumplicidade.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Trânsito

Cada barra de cereal, cada guloseima, uma embalagem jogada pela janela, um porco.
Dirigindo como um bêbado, com movimentos bruscos da direção.
Freando sem motivo, sem carros a sua frente.
Não posso ultrapassar, um caminhão ao lado.
Minha raiva vai aumentando, aumentado, até que dobro à direita e me livro dele.
Por ele a mesma raiva que destino aos motoristas que avançam o pare, sem parar, me obrigando a reduzir a velocidade.
E quase a mesma revolta contra aqueles que não usam a sinaleira.
Caminhões e ônibus na pista da esquerda são um tipo à parte, destes eu desisti de ter raiva.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Paquera

À entrada do consultório notei o rapaz, alto, cabelos calculadamente desarrumados, apertando freneticamente seu mp3 player, impaciente com a espera.
Entrei e falei com a atendente.
Procurei um lugar protegido do ar-condicionado, sentei, peguei uma revista e começei a folheá-la.
O rapaz entra em seguida, para uns instantes na recepção, e na sala de espera escolhe uma cadeira próxima a minha.
Senta, pigarreia, tosse e olha para mim.
Finjo não perceber, achando graça. Nessa idade o que querem é chamar atenção, treinar o jogo da sedução.
Na falta de uma garota da sua idade, ele escolhe a mim.
Olhando ao redor eu vejo que não há concorrência alguma.
Senhores e senhoras uns 20 anos acima e crianças uns 30 anos abaixo.
Finalmente deixa o aparelhinho cair no chão, perto dos meus pés.
Quando olho, ele desvia o olhar.
Continuo folheando a revista.
A atendente me chama:
- Neusa. Pode entrar.
- Obrigada.
Saio pensando no cômico da situação.
Ainda que não houvesse opção melhor, senti-me lisonjeada com a escolha.
Esses garotos!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Fração

Numa fração de segundos
num cruzamento
área nobre da cidade
fim de tarde de domingo
mãe no volante
menino distraído
avó atenta
parados no sinal

numa fração de segundos
assistimos a tudo
atônitos:
na via contrária             
  em alta velocidade         
    avança o sinal vermelho
   
na perpendicular
  freia
    capota três vezes
      choca-se contra o poste
        ali fica, teto na pista

perdemos o contraventor de vista
ouvimos as buzinas dos carros em volta

uma fração de segundos
o sinal abre
seguimos em frente
assustados
vivos

a sorte quis
que os envolvidos sobrevivessem
que nenhum outro carro fosse atingido
que saíssemos ilesos
fisicamente ilesos

sexta-feira, 23 de julho de 2010

De minha parte

Lembro de ter lido numa entrevista, uma socióloga falando de sua obra, não lembro quem era, nem em qual revista li, mas não vem ao caso agora.

- Como é ser casada durante quarenta anos com a mesma pessoa?
- Quem disse que sou casada com a mesma pessoa? Nesses 40 anos, ele mudou, eu mudei. Nem ele é a mesma pessoa que conheci a 40 anos, nem é a mesma pessoa de ontem, e nem mesmo eu sou a mesma pessoa.

Adorei.

Iluminou.

Eu, de minha parte, sou casada a 15 anos com esse pessoa mutante chamada Eduardo.

E me esqueci de elogiar o macarrão que ele fez ontem no almoço.
Estava mesmo delicioso, como tudo mais.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Sentir

O texto de Martha Medeiros publicado em Palavra Aguda me fez lembrar de um questionamento recente sobre a obrigação de ser ou pelo menos parecer alegre.

Se você tem comida na mesa todo dia, tem trabalho, família, fé, saúde ou doenças sob controle e bem assistidas, não há motivo para tristeza.
Sentir tristeza pelo sofrimento alheio é hipocrisia, faça alguma coisa e coloque um sorriso nesse rosto, faça o favor.

Essa convicção veio como reviravolta do pensamento completamente inverso, o de que, por ter perdido o pai de forma trágica e inesperada, seria sempre uma pessoa triste e sizuda, como se fosse preciso demonstrar a todo momento e para todos a dor que carregava no peito, o estigma da orfã, vítima da maldade e injustiça humanas.

O equilíbrio ainda busco. Minha natureza é de alegria, que não é sinônimo de leveza, já que o tem que ser, o é correto, o é de minha responsabilidade, estão sempre pesadamente assentados sobre minha forma de agir, pensar e sentir.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pergunta da semana ... nº 6

Do que você tem medo?

Senilidade

Se for uma brincadeira é de muito mau gosto.
Estou aqui tranquila, lendo meu livro e passa esse homem, quase da minha idade, me chamando de mãe.
Minha vontade é mandar ele pastar, dizer um palavrão. Acho que já fiz isso, não adiantou.
- Não tenho idade para ser sua mãe, meu filho tem 3 anos.
Sinto falta do meu menino. Agora com essa doença, acho que ele tem passado mais tempo na casa da minha irmã, mas não tenho certeza disso também. Sinto muita falta do meu bêbe.
Dia desses eu cheguei em casa na hora do almoço e ele pulou no meu colo, bagunçou meu cabelo, disse que estava me arrumando. Depois eu desfilei para ele pela sala e ele adorou e pediu "de novo mamãe". Mas com essa doença, quase não o vejo mais.

Outra que não engulo é essa moça me seguindo, pajeando. Xingo mesmo. Às vezes não dá tempo de chegar ao banheiro e eu sujo a casa. Doença horrível! Mas pelo menos essa moça faz alguma coisa além de ficar me olhando com cara de boba.

E agora esse homem. Lembro de tê-lo visto num casamento, acho que é alguém da família, mas não consigo lembrar quem é. Queria perguntar para o Eduardo, mas ele está no hospital. Não sei porque não me levam mais para visitá-lo.
Outro dia veio uma velha senhora me buscar, disse que ia me levar para ver o Eduardo. Mas não fomos ao hospital, fomos a um cemitério. Acho que onde papai está enterrado. Nunca gostei de enterros e cemitérios. Sempre achei que não valia a pena, não era lá que estava meu pai e aquele lugar lembrava um dia triste, o da sua morte. Prefiro lembrar de outros momentos com ele, vivo. Mas não fomos ao hospital e não pude conversar com o Eduardo.

O tal homem sempre aparece à noite, diz que veio me ver, saber como estou.
Ora, estou muito bem, só preciso ficar boa logo para voltar ao trabalho e cuidar do meu filho.
Pergunto por Davi, mas ele não responde nada, abaixa a vista. Será que está doente e não querem me contar?

Peço para falar com a Inez, mas vem aquela velha senhora conversar abobrinhas, a gente reza juntas, mas não me dá notícias nem do Davi nem do Eduardo. Sinto tanta falta deles.

De tudo isso o que me incomoda mais são essas fotos de uma velha senhora, de cabelos muito brancos, de uns 80 anos, magra e encurvada. Essas fotos pregadas nos espelhos da casa. Isso já é demais! 
Será algum ensaio artístico? Mas não lembro de ter fotografado essa velha senhora. Quando for visitar Eduardo vou perguntar a ele.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Excepcional

Mãe e filha entram no consultório onde eu, já sentada, aguardo a minha vez.
As duas de cabelos presos - os da filha numa trança caprichada, os da mãe amarrados em desalinho -, saias jeans longas e rodadas, camisas de manga curta - a da filha mais justinha e colorida -, bolsas a tiracolo.
O pai entra em seguida, de calças compridas, camisa de manga longa por fora da calça, óculos.
Pai e mãe beiram os cinquenta, talvez. A idade da filha eu não sei precisar, expressão infantil num corpo adulto de baixa estatura.
A primeira voz que ouço é a da mãe:
- Vamos começar de novo, filhinha. Esqueça o que aconteceu. Uma nova batalha e nós vamos vencê-la.
Um beijo, a filha olha e esboça um sorriso tímido.
- Mamãe e papai estão namorando - diz o pai, com carinho e atenção, para a filha criança-mulher.
- Vamos pedir ajuda a Deus e ao médico.
- Pela misericórdia de Deus vamos vencer mais essa. - diz ele, olhando ora para a filha ora para a esposa.
A filha balança a cabeça afirmativamente ou diz um sim baixinho, quase inaudível.
Calejados e resignados.
Ansiosos por conversar com o médico, buscar uma solução, uma estratégia para uma nova batalha dessa guerra permanente.
Estranhei aspecto e semblante daquela moça, e de seus pais. Aquele ir e vir dela em passos rápidos.
Estranhei o que diziam e a forma como diziam, ternos e até meio bobos.
Depois de alguns minutos ouvindo-os conversar e trocar olhares e palavras de carinho e esperança:  uma família, como tantas outras. Unidos, pegados, ajuntados, aliados nessa luta.
Vencer já venceram.
Todo dia e por muito tempo.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Preguiça

Hoje acordei com sono e preguiça.
Preguiça de falar, de pensar.
Preguiça de me preocupar.
Preguiça de reclamar, de pedir, de explicar, de entender, de analisar.
Preguiça até de ouvir.
Meio que uma impaciência e cansaço.
O dia de hoje poderia ser todo no automático.
Dirigir, chegar, sair.
Só o computador e a lógica de um programa ou de uma consulta qualquer.
Sem falar com colega algum.
Terminar o dia e ver e ouvir meu filho. Falar só pelo olhar.
Beijar e abraçar meu marido. Falar só pelo olhar.
E dormir.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Pergunta da semana ... nº 5

Já se desfez de algo de que sentiu falta depois?

Azul

O céu lavado de branco amanheceu azul, de um azul alegria sem igual.
Hoje crianças riem e brincam, pessoas conversam, nas ruas que estavam cheias de fantasmas sem rosto e sem voz.
A casa é refúgio, não mais asilo de medo e solidão.
A noite é doce, serena, suave.
Todo mal converteu-se em amor.
Todas as cores voltaram.

Inspirada na música Black - Pearl Jam, só que do avesso.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Fotos não tiradas

Um senhor,
cabelos e barba brancos,
bermuda e camisa,
cachimbo na boca,
em pé na esquina,
lendo o jornal.

Dois homens,
andando na calçada da via movimentada,
revesando o carregamento
de um aparelho sanitário.

Bandeira com emblema da seleção brasileira
presa no alto de uma mangueira.

Três quarteirões de uma rua na sombra
desenhada pelas bandeirinhas verde-amarelas.

Mas e seu eu estivesse com a câmera será que pararia para fotografar?

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Pergunta da semana ... nº 4

Você se sente responsável por alguém ou alguma coisa? Pelo que então?

terça-feira, 29 de junho de 2010

Aceitação

Paz acolheadora e calma.
A brisa cochicha lembranças
que não doem tanto mais.
O fim do dia mostra o entardecer
que não consegue mais entristecer.
A noite traz sonhos
que não mais inquietam.
E na manhã quente e clara,
a paz calma e acolhedora,
da alma impura e digna.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Esses jovens

Quanto mais leio, mais vontade tenho de ler. Alimento que não sacia, só aumenta a fome:
AA que não cura, vicia; Piada que não faz rir, desses jovens brilhantes.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Pergunta da semana ... nº 3

Existe alguma coisa em sua vida que se você pudesse teria evitado?

Sobras

Acontece assim: você tira uns dias de folga, passa um final de semana num hotel bacana, come mais do que de costume e, inevitavelmente, engorda.
Mas desta vez as sobras estão mais localizadas na cintura e na barriga.
Será que com o passar dos anos a distribuição dos quilinhos a mais vai migrando?
Até os 30 nos quadris, dos 30 aos 60 na barriga, dos 60 aos Deus sabe quantos nas costelas?
A gordura ir para os peitos seria maravilhoso, não?
Mas aí seria tarde, o que eu faria com peitos aos 70 anos, depois de passar quase toda a vida sem eles?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pergunta da semana ... nº 2

O que você procura no mundo virtual que o mundo real não lhe dá?

Mania

Mania feia essa de achar que sabe mais que o outro,
que pode falar em seu nome.
que sabe o que pensa, o que sente,
mais do que ele mesmo.
Mania universal e instituicionalizada.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Festa Junina

Matriculamos Davi na escola e nos convidaram para para a festa junina das crianças, conhecer o colégio.
No dia da festa, Davi a carater, de camisa xadrez e bigodinho pintado, lá fomos nós.
Chegamos e ele logo começou a dançar.
Correu tudo, conheceu tudo.
Brincou no parquinho de areia.
Conheceu professora e colegas que farão parte do seu dia a dia a partir de agosto.
E na hora da apresentação do Infantil 2:
- Dançar, dançar! - dizia ele correndo em direção ao palco.
Perguntei à diretora se podia.
Subiu no palco e dançou, pulou, bateu palmas.
A professora logo o chamou para ir para frente, quem sabe não animava os mais quietinhos.
Ainda nem entrou na escola e já fez parte da apresentação da festa junina.
Esse é O Cara!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Pergunta da semana ... nº 1

No que seu(s) filho(s) se parece com você? O que ele(s) tem de seu?
E se você ainda não os tem, no que quer que ele se pareça com você?

terça-feira, 8 de junho de 2010

Novata no coral

lá, lá, , , ,
Soprano.

gli, gli, gli, gli, gli, gli
bru, bru, bru, bru, bru, bru

ô, ô, ô, Ô, ô, ô

Afinando.

1a voz:
"Mandei fazer uma casa de farinha
 bem maneirinha que o vento possa levar
 oi passa sol, oi passa chuva, oi passa vento
 só não passa o movimento do cirandeiro a rodar"

2a voz:
"Achei bom bonito
 meu amor brincar
 ciranda maneira
 vem cá cirandeira
 vem cá balançar"
(Música de Edu Lobo)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Insondável

Ora, se eu desci até o fundo desse abismo escuro, úmido e frio,
de desespero, angústia e medo,
Se achei que não havia mais esperança nem felicidade
Ora, se às vezes me sinto tão fragilizada e sozinha
e penso coisas sem sentido
Ora, se ainda haverá motivo para chorar
E eu estou aqui para negar tudo isso
Então vem, dá-me tua mão e sigamos.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Primeira escola

Primeira escola.
Escolinha de um quarteirão!
Eduardo ficou impressionado com o lugar, grande, bonito, muito espaço, arejado.
Meu coração de mãe ficou apertado: grande demais, muitas salinhas arejadas, muitas crianças em cada salinha arejada. Meu filho perdido no meio de tantas crianças, tão quietas, caladas, comportadas, narizes escorrendo, de fraldas e descalças no chão quente no caminho entre os parques e as salinhas arejadas. Um dos meninos se afasta do parquinho, as professoras e auxiliares conversam, não se dão conta do fugitivo.
Meu coração de mãe fica apertado e aflito.
Não gostei.
É grande, tem infra-estrutura, aulas de música, biblioteca, natação, capoeira, lanche fornecido pela escola, banheiro e chuveiro em cada sala arejada, nutricionista, fonoaudióloga.
Não gostei.
Segunda escola. Bonita, nova, fazendinha, parques, piscininha, aulas de inglês, música, educação física.
Poucas salas, ambiente também aberto e arejado.
Gostei. As crianças estão com suas sandalinhas, no calor apenas tiraram as camisas, estão à vontade. Olham curiosas os visitantes. A professora erra no português: concordância verbal zero. Nesta escolinha só até os 2 anos. Dos 3 anos em diante em outro prédio.
Fomos ver. Que confusão! Os pequenos separados dos grandes por portões de ferro, muito barulho, muitas crianças num espaço pequeno. Aulas de inglês, informática, culinária.
Não gostamos.
Nova tentativa.
Escola menor, estrutura simples, área suficiente para as quatro turminhas de Infantil. Ambiente mais aconchegante. As crianças na sala entretidas, fazendo arte, parecem mais à vontade. Converso com a diretora e faço mil perguntas que ela responde pacientemente.
O coração mais tranquilo porque existem outras opções, nem todas são enormes, lotadas e assustadoras para meu menino que sai do cuidado individual para o compartilhado.
Não me importa agora conteúdo, quero que ele se sinta bem em um ambiente saudável com crianças da sua idade.
É irreal a escola tentar suprir todas as necessidades de conhecimento de uma criança.
Ilusão dos pais acharem que o contato com livros na escola os dispensa de lerem com seus filhos, que a aula de música os dispensa de tocar instrumentos, cantar e dançar com seus filhos, que a aula de esportes os livra dos passeios de bicicleta, dias na piscina, jogos de futebol.
Não quero período integral. Quero para ele o descanso e aconchego do lar depois da manhã agitada na escola.
Ainda assim, ainda que para meio período, ainda sendo pequena a escola, ainda que tenha poucas crianças para dividir os cuidados das professoras, auxiliares e coordenadora, ainda assim, e por mais que eu saiba que será melhor para o desenvolvimento dele, é tão difícil.
Primeiro  o retorno ao trabalho, deixar nosso menino aos cuidados de terceiros.
Depois que você já tem confiança na terceira, vai para a escola e para as mãos de quartas, quintas.
Dividida entre o orgulho de vê-lo crescer e o desejo de mantê-lo sob as minhas asas.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Copa do mundo

Uma colega passa por mim nos corredores da empresa:
- Acabou o ano. Vem copa do mundo, depois eleições e pronto.
E falando em Copa do Mundo de Futebol.
Dirigindo para casa na hora do almoço e ouvindo no programa de rádio uma entrevista:
- Dá-se muito valor ao resultado da copa. Vai mudar alguma coisa? O câmbio vai mudar? A balança comercial, a desigualdade social, vai melhorar ou piorar se o Brasil vencer?
- Mas você sabe que o resultado da copa mexe com o brasileiro, eleva a auto-estima.
- A minha não. Eu não preciso disso para elevar minha auto-estima. Nada que um Viagra não resolva. É claro que gosto de ver a seleção jogando bem e ganhando.
- O que você achou da seleção?
- Com esse meio-campo que o Dunga convocou, acho difícil o Brasil mostrar um futebol bonito e ofensivo. Continuo achando que a melhor seleção brasileira foi a de 82 que não ganhou a copa.
E aqui no trabalho, a discussão sobre é sobre a liberação para assistir aos jogos:
- Claro que devemos ser liberados. - diz uma colega.
- Mas você nem gosta de futebol.
- Não gosto mesmo, mas copa do mundo é diferente.
- Não é futebol?
- Não, é carnaval.
Aqui para nós, acho que ela tem razão. É mesmo um carnaval o que fazemos por aqui para acompanhar os jogos da seleção brasileira.
Lembro da copa de 82, era menina e gostava de assistir futebol com o papai.
Fiquei triste quando a seleção perdeu aquele jogo.
Mas hoje não sei quem são os convocados, provavelmente nunca os vi jogar, pois a muito não acompanho os jogos dos campeonatos brasileiros e muito menos dos estrangeiros.
Mas conheço as regras do jogo e gosto de assistir, é questão de me atualizar.

Recarregue ...

Temos um celular extra que fica em casa.
Diferente dos demais este é pré-pago.
Mamãe queria levá-lo para pedir o táxi na volta do consultório médico.
- Neusa precisa recarregar.
Coloco na tomada para carregar. Chegando em casa, celular carregado, tiro da tomada e deixo em cima da mesa.
No dia seguinte, na hora do almoço, lá está o celular de novo na tomada.
- Que marmota é essa?
Tiro da tomada e coloco novamente em cima da mesa. Guardo o carregador.
De noite, novamente o celular ligado na tomada.
Tiro e pergunto pra mamãe:
- Mamãe, você colocou o celular pra carregar de novo? Já estava carregado.
- Mas Neusa, quando eu tento ligar, uma mensagem diz que é preciso carregar.
O carregar que ela ouviu foi com relação aos créditos.
Para alguns pode parecer óbvio, mas não é.
Rimos muito da situação, mas fica a lição, nem tudo que para mim parece óbvio, é óbvio para o outro também.
Melhor explicar direitinho para não haver mal entendido.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Aventuras do fim de semana

Imagina uma aventura num supermercado? E num restaurante?
Conseguiu?
Imagine uma criança saudável, que adora correr, explorar, falar, que fica quieta apenas os minutos necessários para devorar alguma comida e parte para outra aventura.
- Laranja! - e já está do outro lado.
- Mamão! - e corre pra detrás da gôndola.
- Banana!
- Côco! Côco! Côco! Côco! - até a mãe correr em seu auxílio.
- Tá certo filho, vamos levar o côco, deixa a moça cortar.
E corre o menino atrás da moça.
- Não filho, aí só funcionários.
Repete o que eu digo e continua. Que importa que é só pra funcionários se ele também quer entrar. Garantir o seu côco.
E a vovó a muito sem fôlego:
- Esse menino não para, está muito danado Neusa.
- Mamãe vá se sentar um pouco que eu termino as compras com ele.
Coloco o menino em cima do carrinho e tento distraí-lo com um pão.
Depois recorro a um brinquedinho do Ben 10.
Não gosto desses brinquedos de supermercado, com pirulito e balinhas dentro, mas preciso terminar as compras.
Ainda bem que ele só quer brincar, não gosta dessas guloseimas.
- Casa, casa.
Já está cansado o menino, com fome, come uns biscoitinhos e quer voltar pra casa.
Termino as compras e levo meu chumbinho no colo.
No dia seguinte, pizza com amigos.
E corre, e diz boa noite várias vezes pra moça que nos recebeu na entrada.
E vai em direção à rua.
- Davi. - grito e corro para pegá-lo.
Explora todo o restaurante, fala com todos, que em suas mesas já saboreiam suas pizzas.
- Pita, pita. - quase pega um pedaço de pizza alheia.
- Davi, não. A nossa pizza já está chegando. Vamos pra mesa. Papai está esperando.
- Pita, pita, pita.
O garçon traz o suco. Ele toma.
- Pita, pita.
Encontra outras crianças e se une a elas na tarefa de destruir a decoração do restaurante.
Pedrinhas no lixo, números das mesas trocados.
- Vamos Davi, sentar um pouco, conversar com tia Helane e tio Érico.
A prima Júlia está lá, mas não posso falar com ele, Davi já saiu.
Uns minutos de descanso quando a pizza chega. E come rápido.
- Meu filho mastigue, você vai engasgar. Está bom Davi, já é bastante, não filho?
Corre de novo pra saída. Pega uma flor.
- Dê pra tia Helane.
Dá a flor e fica envergonhado.
Dá o beijo de despedida e esconde o rosto.
Essa é nova, Davi tímido!
E me dá muitos beijos. Só ouço alguém que passa e diz: -Ô amor!
Aproveitar enquanto as aventuras são conosco e eu, sua mãe, sou o amor de sua vida.
Você imaginava que um supermercado podia ser cenário de uma aventura? E um restaurante?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Do bem

Bem que eu queria estar certa e ele errado.
Eu ser assim, sincera, verdadeira, íntegra.
E todos os outros também.
Estão na Internet para divulgar seus escritos, suas fotografias, sua arte, livros, músicas, sites preferidos.
Na boa-fé. Compartilhar.
E pronto.
Sem segundas intenções. Nada de mal.
Mas eu confesso, acho que ele tem razão.
Não dá pra saber.
Bom é conhecer as pessoas, conhecer nome, sobrenome, família, amigos, onde trabalha, eposa ou marido ou namorada ou namorado, os filhos, o time do coração, os interesses, a religião.
Tudo isso assim, cara a cara, pra saber se vai ser amigo ou amiga, se é de confiança.
Quem está na chuva é pra se molhar.
Eu não quero me molhar.
Só quero conhecer gente boa, como eu.
Pra quem eu possa dizer de mim.
Meus escritos e fotos estão aí.
Mas só para os do bem.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Flores da vovó Zaré

Igual mas diferente

Ela ama o pai. Não gosta de dizer amava porque em sua memória ainda vive e é amado.
Mas não, não queria um marido como ele.
Seu pai passava longos meses viajando, embrenhado em áreas rurais, comprando e vendendo, demarcando, construindo.
Todas as responsabilidades do dia a dia cabiam a mãe.
Muito sozinha. Família são pai, mãe e filhos.
Em uma época pré-celular, as comunicações com o pai eram por recado e rádio amador e sempre na urgência de não ter o da semana seguinte.
Despesas mensais eram pagas na volta do pai, 6, 9, 10 meses de uma só vez.
Por isso prometeu ser independente financeiramente.
Queria um marido, que além do amor, aquele mesmo que os pais sentiam um pelo outro, dividisse as alegrias e chateações do dia a dia, nos detalhes mais comezinhos: o que servir na refeição, escolha da escola do menino, pagar as contas do mês, cor do forro do sofá, notas do boletim, férias, abastecer, consertar, abrir o vidro de azeitona. Umas decisões e atribuições para um, outras para outro. As importantes decididas em comum.
Mas sim, com todo aquele amor desmedido e despudorado do pai.
Queria que cada retorno ao fim do dia fosse como o retorno de longos meses de separação.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Autor não divulgado

Outro dia, Eduardo me deu pediu para revisar e formatar um trabalho de faculdade. Depois de ler, foi até fácil eleger os itens e subitens, dar títulos, organizar em uma ordem lógica.
Montar a bibliografia é que foi frustrante.
O trabalho foi uma montagem das pesquisas dos cinco integrantes da equipe e Eduardo havia me adiantado que muita coisa tinha sido copiada da Internet.
O mais óbvio e que eu pensei não dar resultado, foi copiar parte dos textos no Google.
E não é que estavam lá, copiados iguaiszinhos dos sites mostrados na lista de respostas às minha pesquisas.
Próximo passo: procurar o autor para uma bibliografia em que constasse o nome do autor, o título do texto, o título do site e o link.
Vamos lá:
- Será que o site citou a fonte?
- Não.
- Será que um dos sites listados é de alguma instituição séria ou algum especialista no assunto que citou a fonte? - Não, pode ser até sério e especialista, mas não informou a fonte.
Senti na pele a importância de informar quem escreveu aquelas palavras que estamos reproduzindo e de saber quem escreveu aquilo quando procuramos alguma informação na Internet.
Numa reportagem que li hoje, Robert Darnton coloca em palavras o que senti nessa tentativa de atender a um pedido de meu marido e fazer daquela porção de textos reunidos algo digno de ser chamado trabalho de faculdade (não se preocupe eu cito a fonte e autor direitinho no final):
"Seja qual for o futuro, ele será digital", resume Darnton. Segundo ele, deve-se olhar para o futuro digital com adesão crítica, sem nunca deixar de olhar pelo espelho retrovisor. A internet, como toda inovação tecnológica, apresenta-se, ao mesmo tempo, com bênção e maldição.
    Para Darnton, ela tem a largura de uma galáxia e a profundidade de um dedo. Embora útil na maioria das situações, tornou-se a maior fábrica de rumores da história, na qual afirmações falsas estabelecem sua veracidade pelo peso das infinitas repetições.A maioria dos sites faz um trabalho muito ruim ou inexistente no sentido de documentar suas fontes ou oferecer referências básicas. Todas as informações vêm com uma forte embalagem de onisciência - ou seja, toda narrativa se passa como se fosse destituída de fonte.

Assim sendo, no lugar destinado ao sobrenome e nome do autor coloquei "autor não divulgado".

A reportagem citada acima está na edição de 5 de maio de 2010 da revista CartaCapital, coluna Plural, intitulada O Cheiro do Saber por Elias Thomé Saliba e trata do livro "A questão dos livros" de Robert Darnton.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Não mais

Ela se achava especial.
Bonita, um tipão, alta, elegante.
Lutadora, vencedora.
Quando isso mudou?
Em que momento deixou de ser tudo isso? Deixou de se sentir assim?
Antes tinha o pai para lembrá-la sempre de como era bonita, amada.
Mas não foi logo depois da morte do pai. Mesmo depois, ainda se sentia especial, triste, menos completa, mas ainda especial.
Era preciso alguém para dizer a ela, confirmar. Não houve quem assumisse esse papel.
Ninguém, como seu pai, falava e demonstrava sem pudor, sem pejo, o amor, a admiração, que sentia.
Talvez por ela ser parte dele, algo que ele não temia perder.
Então foi perdendo o hábito, a certeza, a confiança.
Não se sente muito bem ao ser observada, elogiada. Sente vergonha, acha exagero.
Não se sente mais especial, bonita, um tipão.
O tempo maltratou, calejou.
Já não se sente especial.
Quando foi que mudou e porque ela não sabe bem dizer.
Talvez não tivesse certeza de que era especial, bonita, um tipão.
Precisava que dissessem, repetissem, confirmassem.
Talvez nem seja mesmo, mas sente falta de que alguém diga que a vê assim.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Paparico

- E o suco da Neusa?
Silvaneide pega a jarrinha com o suco separado antes de adoçar, o suco da Neusa.
- Você tomou o suco? Está muito forte?
- Tomei sim, está ótimo.
- Fiz uma saladinha verde, está na geladeira.
- Vão almoçar que eu fico com o Davi.
Tão bom ser paparicada.
Passamos dez dias no sertão, sítio São Cosme, casa de minha sogra.
Sei que o carinho é por extensão, por ser esposa do filho, mãe do neto.
Ainda assim é tão bom.
Ô saudade do sítio São Cosme e sua gente.
Ô saudade da Várzea Alegre, pena que é tão longe.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Férias

Estamos saindo de férias, finalmente.
Um doce para quem adivinhar onde vamos passar alguns dias de nossas férias.
Dica: É no Brasil, no interior do Ceará, é quente pra danar e vamos lá todos os anos.
Não é um lugar turístico, é aquele onde vivem pessoas queridas.
Assim, quem chegar até aqui:
- Fique um pouco, leia, quem sabe você não se identifica com alguns de meus relatos.

Forte abraço e até a volta.
Neusa

quarta-feira, 31 de março de 2010

Tive, Tive, Tive

Parece um disco arranhado não é?
Pois é assim que o meu Davi está cantando.
Ele escolhe um ou duas palavras do refrão e as repete no ritmo da música.
E repete até identificarmos a música e a cantarmos para ele.
Avô, avô, avô ... "Avô, avó, assim, sempre perto de mim."
Fóve, fóve, ... "Chove, mas como chove, chuva, chuvisco, chuvarada, porque que chove tanto assim?"
E o tive, tive? É uma das músicas que o pai canta pra ele dormir. E não posso negar que também adoro ouvi-lo cantá-la.

"Quando eu passo em frente a casa dela
 Eu me lembro, eu me lembro

 O sabor que tem o beijo dela
 Eu me lembro, eu me lembro

 Foi numa noite de lua
 Que eu passei por lá
 Me lembro do sorriso dela
 Me lembro do seu meigo olhar

 Tua pele cor de jambo
 Me fez endoidar
Tive, tive
 Tive
que me apaixonar"
(Eu me lembro, composição de Dominguinhos e Anastácia)

terça-feira, 16 de março de 2010

Soltinho

Primeira vez que Davi sai sem papai nem mamãe.
Foi à locadora com os tios, o primo e a avó.

A mãe:
Com o coração na mão aceitei a sugestão da Inez. Vamos ver como ele se comporta.
Se não chorar quando entrar no carro sem mim. Se chorar depois, a tia liga e eu corro para socorrer.
Entrei em casa sem o menino.
Eduardo ficou esperando ele vir correndo e gritando atrás de mim.
Depois de alguns segundos e sem sinal do filho.
Expliquei.
O pai fez cara de reprovação.

E o menino:
Sorriso congelado no rosto, sentado na cadeira do primo, a tia achou que ele ia chorar, que nada.
Quando o primo gritou, ele que estava estático, sem acreditar que desta vez saía da casa da tia com o primo, os tios e a avó, entrou na brincadeira e respondeu com outro grito de alegria.
Na locadora, brincou, cantou, apontou e nomeou o que viu, dançou, comeu biscoito, e falou com a mamãe no telefone de brinquedo.
Chegou em casa muito feliz e só notou a presença da mãe minutos depois.
- Mamãe! - e correu para abraçá-la.

Pois é, soltinho.
Temos que nos acostumar, os filhos, criamos para o mundo.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Tão cedo

De segunda à sexta, vindo de casa para o trabalho, passo por uma comunidade pobre cujas casas foram construídas no entorno do trilho do trem.
Ali, estão todos nos quintais de suas casas.
É comum ver meninas, mal saídas da infância, carinhas de 15 anos, talvez pouco menos ou mais, com o barrigão pracolá.
Tão cedo!
Está certo, eu esperei até demais, tenho meus motivos.
Mas nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Nem oito nem oitenta.
Tão cedo para assumir responsabilidade tão grande.
Eu sei, estão habituadas aos cuidados com crianças, muitas criaram os irmãos menores.
Podem, claro que podem ser boas mães.
Mas tão cedo?
Podiam ser e fazer tanta coisa antes de assumir tão importante e definitivo compromisso.
Abrem mão de tanto, mais próprio de suas idades, e tão cedo.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Ornamento

Mal resolvida eu?

"Você não é mal resolvida. Só tem grandes expectativas da vida, como eu, isso não é um problema. Eu demorei pra entender que não é. A gente é que foi achando que não tem direito, que é pecado, que num sei quê. Mas desnóia, que você é massa, gosta de arte, de música, de dançar, é inteligente que só e uma mãe que leva a maternidade sem aquele peso horrível. Davizão tem sorte."
Palavras da irmã caçúla Lucinha. Esses meses em que ela está longe nós temos nos falado muito por e-mail. E essa massagenzinha no ego veio bem a calhar.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Dissensão e Animosidade

"Essas perguntas infrutíferas não têm respostas garantidas. No máximo irritam as pessoas, provocando interminável discussão, dissensão e animosidade."
Esse trecho foi extraído do livro Falando da Sociedade - ensaios sobre as diferentes maneiras de representar o social, de Howard S.Becker, editora Zahar/RJ.
A afirmação foi para uma situação particular.
Mas lendo assim, fora do contexto do livro, vejo que se aplica a muitas outras situações e perguntas.
O que queremos discutir é mesmo importante?
Não defendo se omitir de toda discussão.
Defendo não gastar saliva nem neurônios à toa.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Volte

Antes do Davi eu tive três filhas: minha mãe e minhas irmãs.
Filhas do coração, por elas me sentia responsável antes mesmo de ser por mim mesma.
Papai costumava dizer ao se despedir para mais uma viagem: - Cuide de sua mãe e de suas irmãs.
- Está bem, eu respondia, orgulhosa da importância.
Mas não sem você.
Como cuidar delas e de mim?
Porque nos abandonou? Volte.
Não sabia que teria que cuidar sozinha.
Não sabia que logo teríamos que cuidar umas das outras.
Pai, não sei se cuidei direito, era sua obrigação, não minha.

Hoje faz 23 anos que papai foi morto.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Bob Dylan

Arrumando o armário da sala encontrei um CD gravado pelo amigo Caio, em 2006.
Nem lembrava quais músicas o CD continha.
Eram mp3 para inaugurar o meu mais novo iPod Shuffle usado que comprei dele mesmo.
Coloquei no som do carro.
Bob Dylan e outros mais.
E não é que Davi adorou!
Foi calminho até o sítio da tia Nildes, prestando atenção nas músicas e na paisagem.
Dançando ao som mais animado de um ou outra.
Cinquenta minutos e nem um pio, nem uma reclamaçãozinha sequer.
E logo Davi que fica impaciente de estar preso à cadeirinha pelo cinto de segurança.
Incrível!
Eu indico.
Dali Dylan nas viagens das crianças.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Número 2

Semana passado fui ao meu médico número 2. Não, não é geriatra!
Foi o anjo que fez meu parto e trouxe nosso querido Davi ao mundo.
Tudo certo com a mamãe. Exames de rotina para fazer.
- Queremos outro agora? - ele pergunta.
- Não, não.
- E Davi e papai como estão?
- Estão bem. - e falo dos estudos do Eduardo e da altura e do peso do Davi, muito orgulhosa do filhão.
Mostrei o blog do menino. Riu logo do nome ("eu sou o cara") e achou o máximo.
- Olha que legal, tudo aqui, desde que nasceu. E os textos, como se fosse ele falando.
Chamou a esposa, que trabalha com ele e atende no consultório ao lado, para ver.
- A doutora lembra daquele bebê que nasceu com cinco quilos? - perguntei.
- Claro! Não é todo dia que nasce uma criança deste tamanho.
Um casal maravilhoso, os Nogueira, com vocação, sabem da importância do trabalho deles em nossas vidas e sempre nos recebem com dedicação e carinho.
Ah, sim, o médico número 1 é o endocrinologista.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Hold on

"If you need her, you'll show it
If she loves you, then you'll know it
If it happens, don't fight it
If you broke it, don't hide it

If she wants you, then love her
If she needs you, then you'll show her
If it happens, don't fight it
If it's true love, don't hide it

You know what they say,
"Mmm, well, love will settle the score,
All's fair in love and war."

Hold on to your love,
Hold on to your love."
Neil Percival Young por Taylor Hicks

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Com emoção

Estou aprendendo a andar na garupa de uma moto.
Pensa que é fácil?
A primeira vez quase derrubo o motorista de tanto que o apertei.
Agora estou mais segura - um pouquinho mais, quadris encaixados, pés firmes nos apoios, nas curvas sigo o movimento da moto.
O vento no rosto. A sensação é muito boa, ver tudo do alto.
E o melhor é que o motorista é meu marido, se bater insegurança ou medo, eu posso agarrar à vontade.
Ao chegar, depois de muito ultrapassar, acelerar e frear.
- Iurru!
- Foi com emoção?
- Foi.
Aí você me pergunta: - E o carrinho querido?
Está no conserto.
Uma árvore maluca amassou a porta do coitadinho.

Receita I

"É preciso amar sem limite, sem cálculo e sem prudência. A verdadeira vida começa na hora em que o amor é dado à criança, sem reservas. Você pode tudo porque eu te amo e não me deve nada."
Nina Horta, cozinheira e escritora.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Pesadinho

Às vezes acho que ele está magrinho, miudinho.
De outras acho que está forte e grande.
Mas no colo, sempre o acho pesadinho.
Meu bebêzão.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Mínimo

E se eu disser que sempre que alguém me olha insistentemente - acontece às vezes - eu ficou tentando descobrir porque?
Será que estou com o rosto sujo, o cabelo assanhado, tem uma meleca pendurada no meu nariz, e depois de verificar quase tudo e não encontrar nada de anormal, eu fico me perguntando:
- O que foi que aquela criatura viu aqui?
Talvez me conheça de algum lugar e eu não me lembro dele.
Acho que não corro o risco do erro que o mfc descreveu em seu pensamento do dia.
hehehe

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Chuva

O calor abafado já anunciava.
O céu escureceu e enfim caiu a chuva.
Céu cinza, vento forte.
Chuva ao som de Madredeus.
Mas eu tinha que vir de calça branca?

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Veredito

Eu devia ter prestado mais atenção, fui negligente, ignorante.
Devia saber que todo aquele mal estar que eu sentia não era passageiro, nem era da gravidez.
Devia saber que podia estar afetando meu filho.
Tinha que saber mais que qualquer médico especialista.
Não devia ter confiado no obstetra que me atendia por telefone.
Devia ter ouvido minha mãe e ter ido logo em busca de auxílio médico.
Podia ter evitado sua morte, podia ter salvo sua vida.
Porque eu era a mãe.
Culpada. Esse é meu veredito.
Não importa que eu quase tenha morrido.
Não importa que tenham se passado 13 anos. Que passem 20, 30, 50 anos.
Ainda me sentirei culpada.
Porque era eu a mãe.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Irmã mais velha do mundo

Irmã mais velha do mundo.
Pois sou eu.
A caçula tinha oito anos e fez uma linda cartinha, desenhada, com letra caprichada, para desejar feliz aniversário a irmã mais velha que completava quinze anos.
Até hoje acredito que a intenção era dizer que eu era a melhor irmã mais velha do mundo.
Mas o melhor se perdeu e a frase ficou assim.
Desde então essa é nossa piadinha, eu sou a irmã mais velha do mundo dela.
Lembro dela dizer que eu seria uma excelente mãe, enquanto eu passava aos mãos em seus cabelos, tão lisos e finos, num carinho gostoso, de aconchego.
E pequenina no colo do Eduardo que sempre levava agrados, enquanto eu de cara fechada, enciumada por não querer dividir a atenção do namorado.
Ela cresceu, ganhou o mundo. Está em Portugal com o marido, estudando os dois, e muito.
Sou fã dela, dos seus escritos, do que diz, da sua beleza, do que veste, e de quase tudo que faz - para algumas poucas coisinhas o cuidado de irmã mais velha pesa mais.
Que saudade da Juribreca!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

19 de janeiro

Ela nasceu no dia em que eu perdia meu primeiro filho.
Filha de um grande amigo.
Ontem foi seu aniversário. 13 anos.
- Lívia, é a Neusa, lembra de mim? Amiga dos seus pais, mãe do Davi.
- Lembro sim. - me disse ela num vozinha alegre de menina.
- Hoje é seu aniversário não é? Parabéns!
- Obrigada.
- E vai ter festa?
- Não, vou para o cinema com as minhas amigas.
- E mamãe e papai?
- A mamãe vai também. O papai não né? Por favor.
- hehehe Tá certo, programa de meninas.
Qualquer dia passo lá para dar um beijo nessa menina-moça e para o Davi fazer bagunça na casa alheia.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Vôo Cego

Abri os braços e me atirei, certa vez.
Acreditei que a queda não tivesse fim e que seria sempre a vertigem gostosa e a alegria de voar.
Tão breve vôo, logo me vi estendida ao chão.
Uma dor que parecia não teria fim.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Pernas finas

Vim de saia. De tarde vou passear com o Eduardo, por isso vim mais arrumadinha.
No banheiro da empresa, no espelho que ocupa toda uma parede, me vejo inteira.
- Como minhas pernas estão finas! Será que é efeito da saia de pregas?
- Eu devo ter emagrecido um pouco mais.
- E o chefe já me chama de sibite baleado. Será que ele tem razão?
Olho de frente, de lado, tento me ver de costas.
Para os padrões atuais de rechonchudice, eu não sou mesmo nada fornida.
Bem, acho que para alguém que vive de dieta, sempre correndo, que só descansa quando deita à noite para dormir, não podia ser diferente.
A maioria das mulheres se preocupa com os gramas a mais.
As minhas insatisfações estéticas são outras tantas e algumas eu tento melhorar (as que são possíveis sem cirurgia).
Mas achar as pernas finas é novidade!

sibite baleado significa pessoa muito magra ou pequena (sibite é um pequeno passarinho).

O mundo é meu, é seu

"Deixa de manha de noite e de dia
Toda criança diz que tudo é seu
Hei, menino! Hei, menina! Larga disso, lagartixa
Que nessa ciranda o mundo inteiro é meu, é seu, é meu, é seu

Como uma vez tinha um tatu bolinha
Mais outra vez nasceu um monte de grãos
Mais o amigo, mais a prima, o colega, a vizinha
E nessa ciranda o tatu bolinha virou bolão, balão, bolão, balão...

E nessa ciranda o mundo inteiro é meu, é seu, é meu, é seu
E nessa ciranda o tatu bolinha virou bolão, balão, bolão, balão"
Cirando - Palavra Cantada (www.palavracantada.com.br)

Ouvindo músicas infantis com Davi e toda família. O DVD do show do Palavra Cantada é ótimo.
Davi adora e eu também.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Biscoito

Missa especialmente organizada para crianças.
Sentadinhas no chão, perto do altar, assistindo ao teatro de fantoches as maiorzinhas, e brincando as menores.
Davi sobe as escadas e fica pertinho do padre.
Vou tirá-lo e o levo para o lado, onde não atrapalhe a atenção dos demais, e lá está a mesa com os apetrechos da comunhão - água, vinho, cálices cheios de óstias.
Davi olha, estende os braços e diz: - Coitchu, coitchu, nhame, nhame.
Ele achou que eram biscoitos e queria comer.
Saí com ele no colo em direção ao pai, rindo e contendo a gargalhada.
Rimos muito e demos a ele os biscoitos que ele pedia, não as óstias claro.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Auto-estima

Descobrindo como educar meu filho para que ele tenha agora e no futuro uma auto-estima elevada.
A minha foi diminuída, e agora eu preciso descobrir como recuperá-la.
Não é só resultado da forma como fui educada, mas da minha personalidade e de como digeri o que recebi.
Uma combinação não muito feliz.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Saudades da Várzea


Rita

Não gosta que eu a chame de dona Rita.
- Pra que esse dona? Rita!
Conheceu Ramires numa viagem à cidade de São Paulo. Paixão à primeira vista.
De volta à Fortaleza sofreu um grave acidente que quase a deixou paralítica. A empresa a mandou para hospital em Brasília. Quatro meses e três cirurgias depois estava andando.
Ramires quando soube do acidente veio vê-la. Casaram-se.
Mesmo contra as recomendações médicas, engravidou. Gravidez de risco, nove meses em repouso.
- Você tem vinte minutos por dia para se levantar, tomar banho, caminhar.
Nasce Igor. Fim do desconforto e da dor. Que alegria, uma criança linda e forte.
Com um ano e três meses Igor perde o pai. Ramires morre de infecção hospitalar depois de se submeter a uma cirurgia simples, de recuperação rápida. Em sete dias deveria estar em casa. Não voltou.
Sozinha, aposentada por invalidez, trabalha vendendo jóias e artesanato, e cuida do filho.
Igor tem hoje vinte e três anos, trabalha, estuda, está noivo.
- E se vira sozinho numa casa.
Mostra fotos: Ramires, um belíssimo jovem, e Igor, bêbe de nove meses, fofíssimo.
Eu sento ao lado dela:
- Rita, vim lhe pagar.
Foram toalhinhas, panos de prato, que comprei para alegrar a casa no Natal.
Pergunto pelo filho, ela me conta sua história. E que história!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Moda

Vem a garota caminhando em direção à Beira Mar. Corpinho bem feito, cabelos grandes presos num rabo de cavalo.
- Eca o que é isso? Uma nova moda? Os bolsos do short curtinho estão à mostra.
Duas moças e um rapaz caminhando ao meio dia, fardamento da empresa, indo ou de volta do almoço.
- Que óculos escuros enormes! Rostos tão pequenos com óculos tão grandes. Nova moda! Tem que seguir?
Chega a colega de trabalho, curva-se para apanhar o papel que caiu no chão.
- Minha nossa, que vestido curto. No trabalho?!? Vi tudo aquilo que os colegas adorariam ver. No mínimo deselegante!

Algumas modas eu não engulo.
Minisaias e minivestidos curtíssimos, shorts com os bolsos aparecendo, blusas muito decotadas - frente ou trás-, óculos enormes do tipo besouro.
Não sou tão jovem, nem tão magra, nem doida o suficiente.
Nem tudo fica bem.
De certo ponto da vida em diante poucas roupas caem realmente bem.
Não sou muito vaidosa, nem muito caprichosa no vestir.
Já fiz muitas vezes a promessa de variar mais o jeans e a camiseta, mas sempre volto a eles.
Na falta de tempo, dinheiro e paciência acabo optando pelo mais simples.
Tento evitar o ridículo.
Mas o que vejo por aí! Ou falta espelho ou bom senso, ou os dois.
Não, a moda não manda em mim.