quinta-feira, 29 de julho de 2010

Paquera

À entrada do consultório notei o rapaz, alto, cabelos calculadamente desarrumados, apertando freneticamente seu mp3 player, impaciente com a espera.
Entrei e falei com a atendente.
Procurei um lugar protegido do ar-condicionado, sentei, peguei uma revista e começei a folheá-la.
O rapaz entra em seguida, para uns instantes na recepção, e na sala de espera escolhe uma cadeira próxima a minha.
Senta, pigarreia, tosse e olha para mim.
Finjo não perceber, achando graça. Nessa idade o que querem é chamar atenção, treinar o jogo da sedução.
Na falta de uma garota da sua idade, ele escolhe a mim.
Olhando ao redor eu vejo que não há concorrência alguma.
Senhores e senhoras uns 20 anos acima e crianças uns 30 anos abaixo.
Finalmente deixa o aparelhinho cair no chão, perto dos meus pés.
Quando olho, ele desvia o olhar.
Continuo folheando a revista.
A atendente me chama:
- Neusa. Pode entrar.
- Obrigada.
Saio pensando no cômico da situação.
Ainda que não houvesse opção melhor, senti-me lisonjeada com a escolha.
Esses garotos!

2 comentários:

Juan Moravagine Carneiro disse...

Belo conto...

Regia disse...

Essa menina vai longe...rsrsrs
Regia