sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Mensagem de fim de ano?

Fim do ano chegou e é hora de deixar uma mensagem.
Algo edificante, uma lição de vida, mas o que posso dizer que você ainda não saiba? E como me arvorar autoridade para tanto se estou todo dia aprendendo, caindo, levantando?
Posso desejar, isso eu posso fazer.
Para mim eu desejo que o que foi bom permaneça: eu, Eduardo e Davi, família, saúde, amor, fé, amigos, viagens; e que o faltou venha: a presença dos amigos (sinto falta da conversa olho no olho, do abraço), mais viagens, minhas irmãs cosmopolitas mais perto, dar os primeiros passos para a realização de algumas metas pessoais.
E para todos vocês, amigos reais ou virtuais, desejo o mesmo: que o que foi bom permaneça e o que faltou venha.

Grande abraço,
Neusa

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A última

A mãe é sempre a última?
A última a se deitar, a tomar banho, a comer. Eu nem tinha atinado para isso ou tinha mas achava natural, até nossas férias de julho na casa de D.Nazaré, minha sogra. Depois de alguns dias observando nosso dia a dia, ela comentou:
- Ei Neusa, agora que é mãe, você é sempre a última. Só come depois de dar a comida do Davi, só toma banho, depois de banhá-lo e e colocá-lo para dormir.
Estava sendo assim, por minha iniciativa e consentimento.
Mas papai a cada dia participa mais e mais desses cuidados rotineiros. Com Davi mais crescido, os dois fazem muitas coisinhas juntos: tomam banho, dormem, "cozinham", passeiam, e principalmente brincam.
Mas a mamãe aqui só consegue relaxar depois de atender a todas as necessidades do pequeno. Estou sempre me policiando para tentar ser mais flexível e dividir mais.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Pegando onda





Davi.
3 anos e 9 meses. 
Chegando na praia para brincar de pegar onda.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A Janela de Esquina do Meu Primo



Maravilhoso.
A descrição e análise dos tipos observados são deliciosas.
O posfácio é um riquíssimo adendo.
Tornei-me admiradora e quero ler mais obras do mestre
do Romantismo alemão,
Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Dirigindo


Bem, na falta de um fotógrafo particular (marido seria a primeira opção, mas ele não gosta muito de me fotografar), e quando quero uma foto minha, recorro ao auto-retrato. O foco às vezes falha, mas, taí, sem mais tratamentos, com as marquinhas do tempo visíveis. Dirigindo, a caminho do trabalho.

sábado, 19 de novembro de 2011

Papai sem bigode

Eduardo me avisa que vai tirar o bigode.
Davi não sabe e quando chega da escola e vê o pai diferente diz:
- Esse não é o meu papai, é o papai de outro menino.
E se joga na poltrona querendo chorar.
Só depois de ouvir a voz do pai e ganhar muitos beijos e cheiros, e do pai chamá-lo pelo apelido carinhoso que só o pai usa é que Davi se acalma, sorri e diz:
- É o meu papai sem bigode.
E ri quando o pai explica que o bigode vai crescer de novo.
E já cresceu, para alegria do Davi e da mamãe também.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Abomino

Abomino e corro léguas de baratas, fanfarrões, sarcásticos e incoerentes.

Bicho mais nojento não existe, com toda sua agilidade para se esgueirar, e fugir da chinelada, para subir em tudo. Qualquer vãozinho, qualquer espaço serve de esconderijo. E quando voa então?

Fanfarrão segundo o dicionário é aquele que alardeia valentias próprias, porém falsas ou exageradas, um impostor. Alguém que se gaba, enche os peitos para dizer "eu sei", "eu faço" e na hora H não faz, amarela, tira o corpo, não assume.

Sarcasmo - ironia amarga e insultuosa, escárnio - mordaz, dito em tom de brincadeira, mas que tem objetivo claro de aniquilar, magoar, ofender. O que me fez lembrar um trecho de uma música de Pe.Zezinho que diz "Palavra é como pedra, preciosa sim, quem sabe o valor cuida bem do que diz. Palavra é como brasa, queima até o fim, quem sabe o que diz há de ser mais feliz."

Só posso exigir aquilo que consigo praticar, do contrário é incoerência, contradição. "Faça o que eu faço e não o que eu digo" não cola mais nem com crianças que desde cedo entendem isso e cobram coerência dos pais, avós, professores e quem mais conviver com elas. Duro aceitar que alguém peça a você para agir de uma forma que ela mesma não é capaz de ou não quer.

Pai fera

Quer ver o Eduardo zangado, mexa com o filho dele.
Dia desses, num aniversário, Eduardo ficou olhando o Davi brincar na piscina de bolinhas com outros coleguinhas. Davi foi empurrado e revidou. A mãe do coleguinha chamou a atenção do Davi dizendo que o filho dela era um bêbe.
Eduardo mais tarde me contou, indignado:
- Neusa, o menino também tem 3 anos, mas o Davi tem o dobro do tamanho dele.
Eduardo sente que o filho foi tratado com injustiça.
Em parte Eduardo teve razão, não para se zangar com a mãe da criança, é claro, mas porque o Davi não tem obrigação de ser mais maduro que o colega da mesma idade.
Eu, de minha parte, distribuo carinho e bronca para todos - até agora nenhuma mãe brigou comigo por isso.
Mas sempre falo mais com o meu filho, insisto para que ele seja cuidadoso nas brincadeiras, para não se machucar, nem machucar os(as) amigos(as).
Acho que também chateou Eduardo, o fato da mãe vir quando o filho chorou e tirar conclusões levando em conta o tamanho do meu bebezão, sem saber ao certo  e sem questionar o que tinha acontecido.
A amiga Mayra, mãe experiente de três, diz que precisamos deixar as crianças se virarem sozinhas, elas acabam se entendendo, ela só aparece quando a coisa fica feia.
Agora eu dizer isso pro papai texugo, nem pensar.

ps: Apesar da aparência dócil, os texugos podem ser animais ferozes para defender seus filhotes.

Davi punk

As meninas sendo penteadas, lacinhos, presilhas.
Davi diz que também quer um penteado.
Eu achando que era só para meninas.
A profissional mostra fotos de penteados para os meninos.
Davi escolhe esse de punk, e na cor verde.
Já sabem: fez o maior sucesso. O outros meninos, mais tímidos, animaram-se. Em minutos, a festinha de aniversário estava cheia de punks mirins. E princesas, é claro.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Para Neusa no futuro

Hoje de manhã Davi buliu numa gaveta de fotos e pegou dois envelopes, um com fotos recentes e outro com fotos antigas (ele sempre leva alguma coisa pra escola e chegando lá me devolve para eu guardar).
Entre as fotos, uma em que estou vestida para um casamento, usando o conjunto vermelho que usei em vários casamentos, magrinha - a roupa ficava até folgadinha. Final do ano passado fui a um casamento com a mesma roupa, que mandei afrouxar um pouco e mesmo assim ficou apertadíssima.
Na época em que tirei a foto não achei muito legal: braços fortes para corpo magro, pernas finas. Hoje já acho que estava muito bem.
Que será que vou achar quando vir uma foto de hoje daqui a 7 ou 10 anos? Uma foto como essa aí ao lado.
O tempo é o tempo, deixa marcas.
Não acho que a idade nos impeça de melhorar - em alguns aspectos - mas dificulta, e algumas marcas aparecem e ficam mesmo, e é bom que seja assim. Sou criticada quando comento sobre a não tão boa forma física, celulites e gordurinhas (não aparentes ?!), mas a comparação é com minhas versões anteriores, e não com qualquer outra pessoa da minha idade ou não.
Então fica aqui o registro.
Neusa, quando vir a foto no futuro: Essa era você alguns anos atrás (38 anos, 1,72m, 66kg), que acha?
Hoje estou achando um tanto inapropriado publicar uma foto minha de shortinho: tenha vergonha!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ele tem pai

A terapia me ajudou a perceber que eu estava repetindo em casa algo da minha infância e adolescência.
Mesmo antes do papai morrer ele já estava ausente do dia a dia da família, saúde, educação, carinho, valores e regras, tudo ficava a cargo da mamãe.
Quando papai estava em casa era festa, férias, novidade - papai na cozinha, papai brincando, papai levando pra escola - mas, por mais que ele ficasse conosco o tempo todo nesses períodos, não era possível dividir as responsabilidades entre os dois igualmente, por causa dos muitos meses ausente. Depois da morte dele, mamãe assumiu tudo, dividindo comigo e com Inez - as mais velhas - algumas responsabilidades.
O que só agora descobri é que eu estava tentando, como sempre costumo fazer em quase tudo, assumir totalmente a responsabilidade pelo Davi. Não permitindo ou não incentivando Eduardo a assumir seu papel de pai. Talvez porque eu não tenha essa experiência bem clara.
Mas aí é que está a incoerência, o Davi tem pai, ele está presente, porque privá-lo de ter do pai tudo que o pai pode dar?
Só eu, a mãe, sei dar o medicamento? Só eu sei contar histórias?
É subestimar demais a inteligência e capacidade dos pais, eles podem tudo, se assim quiserem.
Algumas vezes aceitamos situações que não deveríamos aceitar, afinal se pai e mãe passaram o dia no trabalho, porque a mãe faz a tarefa com o filho, enquanto o pai assiste a TV ou acessa a Internet?
Entendi que devo permitir e incentivar o Eduardo a estar presente sempre, em qualquer situação, em todos os momentos. E autoridade de pai é algo muito importante, essencial.
Não existe uma divisão rígida entre o que eu faço e o que o Eduardo faz. É claro que vai chegar um momento em que pai e filho, por serem homens, estarão mais próximos em alguns assuntos. Mas ainda não é nosso caso.
Esse é o nosso momento de fazer escolhas em favor do Davi. Chegará o tempo em que ele não precisará de nós como hoje, será independente.
Esse é o momento de pai e mãe participarem da vida do filho com uma dedicação ferrenha. Pode parecer cansativo, mas na verdade é gratificante.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Macanudo 1

Adorei esses quadrinhos, de uma sensibilidade ímpar.

Macanudo No 1 - Liniers

http://www.porliniers.com/

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Irmãs

Lucinha voltou de Portugal.
Isso me fez pensar em como são as relações lá de casa, entre nós, as três irmãs.
Inez e Lúcia sempre foram mais próximas.
Quando a Lucinha nasceu, eu tinha 7 anos e a Inez quase 6.
A Inez, que sempre adorou crianças, assumiu os cuidados com a pequena. Eu não me sentia confortável em cuidar da caçula quando bebê, tinha medo de deixar cair, de machucar.
Assim, a Inez foi como uma segunda mãe para ela.
Minha relação era igual com as duas, gostava de brincar, de fazer bagunça, de ensinar, de inventar, essas coisas de criança mesmo. Eu não fazia distinção pela idade. Mas lembro também que desde cedo eu já queria e achava que devia proteger minhas irmãs mais novas.
Papai morreu, e eu assumi essa triste posição de arrimo de família, como que alguém responsável pelas minhas irmãs, pela casa, algo que eu mesma me impus com a anuência de mamãe. O que aconteceu é que fui cobrada como modelo e provedora.
Algum tempo de terapia me fizeram ver que elas não precisavam que eu assumisse esse papel, não haveria substituto para o papel do pai protetor, provedor. Dei-me conta de que elas são capazes e só elas podem  alcançar seus objetivos, realizar seus sonhos, assumir as suas responsabilidades, e o que de melhor eu posso fazer por elas é dar amor e carinho e apoio quando for preciso.
Esse afastamento não foi proposital, eu não quis me distanciar delas, ou ser mais ou melhor, muitas vezes me sentia menos bonita, menos resolvida, menos forte, menos decidida, menos livre que elas.
Minhas irmãs são um orgulho para mim (meusorgui), lindas, inteligentes, competentes, antenadas, amorosas, fortes, duas mulheres maravilhosas.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Não fuja

Imagine a cena:
Nós no pronto-atendimento, Davi naquela animação de sempre, chamando as crianças da sala de espera para brincar: '- quer brincar amigo?', lendo jornal com o pai de um destes amigos.
Depois de esperar cerca de 40 minutos, entramos na sala e o médico examina e prescreve um antibiótico, diferente do anterior para uma sinusite mal curada.
Enquanto o médico vai buscar uma amostra grátis do medicamento avisa: 'Davi vou só buscar o remédio, não fuja não' e deixa a porta entreaberta.
Davi com o corpo todo para fora e apenas a pontinha do pé dentro da sala, quando vê o médico voltando corre para dentro rindo.
A vovó morreu de rir da arrumação. Eu disse: 'ói, ele voltou. você fugiu?'
Porque enfim, tudo que eles fazem de novo é lindo demais e nos enche de orgulho.

Contos completos

V. Wolf Contos Completos

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Que tal o acessório?

Neste dia pedi para o Eduardo tirar uma foto minha usando o macacão da grife da amiga Juliana (Loja JuXavier) para mandar para ela e para o Caio verem como ficou.
Davi vê e vem correndo, pula no meu colo para sair na foto também. Não tirei outra, mandei esta e brincando disse: "Olha a Neuda de macacão da JuXavier. Agora, aqui pra nós, acho que esse acessório a tira-colo é que fez a diferença. Lindo, não é mesmo?".
Eles riram e concordaram comigo.
Então fica a dica, se estiver ou quando vier a Fortaleza, vá a loja da Ju e saia feliz e mais bonita. O "acessório", porém, é exclusivo da mamãe aqui.
Em tempo, Neuda é como o Caio me chama, entre outros nomes semelhantes ao meu, mas nunca o correto.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Aproveitador

O passado bate à porta nas piores horas.
Volte outro dia, dia em que eu estiver mais forte, mais segura.
Mas ele se aproveita da brecha deixada pela fragilidade.
Não, eu não sei o que dizer a você, não sei o que fazer com sua lembrança. Volte quando eu souber.
Não pode vir outro dia, precisa de uma resposta agora.
Não tenho a resposta. Volte outro dia.
Até ontem estava tudo bem, porque então você só me procura hoje, quando não quero recebê-lo?

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Um conselho por favor

Eu, precisando de conselhos?
Sim, sim, muito.
E é claro, mais uma vez, é o Davi o motivo.
Davi não está participando das atividades da escola, não senta com os colegas para brincar de bloquinhos e quebra-cabeças, não deita na hora do descanso, só quer correr, brincar de pega-pega e está sempre chamando um colega para acompanhá-lo.
- Ele só fica quieto na hora do lanche. Acabou de comer, volta a correr. - foi o que ouvi da professora hoje.
Também ouvi coisas piores: choro, birras, que agride os colegas, que se mordeu e disse que foi um coleguinha.
Fico pensando, pensando, tentando entender o que está se passando com ele: falta de limites (pai, avó e babá permissivos demais), falta de interesse pelas atividades da escola, ou ele está revidando agressões que sofre.
O que sei é que desde o início do ano ele adoeceu muito antes da cirurgia, não frequentou a escola continuamente, eram sempre idas e vindas, operou-se em fim de maio e só voltou a escola em agosto.
Hoje não chora mais para ficar na escola, mas sempre ativo, brincando de correr, de jogar, mesmo quando os colegas estão quietos.
Disse a ele que estou triste e preocupada porque ele não está se comportando na escola.
E agora, vocês pais e mães experientes, algum conselho?

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Todo dia

Todos falando do dia dos pais, eu vou nessa também.
Lembro bem daqueles presentinhos inúteis que fazíamos na escola para presentear o querido papai. Presentes que ele recebia com um sorrisão no rosto.
Agora a cena se repete com o Davi.
Eu e Eduardo rimos muito da lembrancinha que Davi trouxe da escola - não faço a mínima idéia do que deveria ser. Mas é claro, o pai recebeu como se fosse tudo que ele queria.
E na verdade era, porque tudo que ele queria era aquele filho.
O meu pai se foi há bastante tempo, lembro dele com amor e saudade, ele me ensinou a ser alegre, confiante e ter fé nas pessoas.
Então, pais curtam seus filhos e filhos curtam seus pais, todos os dias.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Medo dos 40

Estava outro dia dizendo a minha irmã que ando mais vaidosa, fazendo peeling  - que não deu o resultado que eu esperava, aguardando o dia da consulta para reclamar com a dermatologista -, comprando roupas mais arrojadas - nem tanto, eu tenho espelho viu? -, fazendo musculação -começei há poucos dias mas já sei que os braços serão os primeiros a ficar definidos, a mulher braço, eca.
Acho que é o medo dos quarenta que estão cada dia mais próximos.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Três Contos


Três Contos - Gustave Flaubert

Não é moleza não

maternidade almada negreiros
"Maternidade" - Almada Negreiros
Ninguém me disse que seria fácil, nem eu imaginava que fosse, criar, educar um filho, mas ...
Antes eu tinha a impressão e agora tenho a certeza de que os pais vão tateando.
É preciso ter uma posição firme sobre coisas que nunca se imaginou que teríamos sequer que conhecer.
Posições e convicções que vão mudando, afrouxando ou endurecendo, à medida que o tempo passa e a criança cresce.
A cada nova fase, novos desafios para ela e para nós.
A baladeira da paciência a cada dia precisa ficar mais e mais flexível para esticar mais e mais.
Estou, como em tudo mais, tentando me ater ao que realmente importa.
Mas sempre me pergunto: será pouco, deveria exigir mais, ou será muito, deveria exigir menos?
É bom ter ajuda, um pai presente, uma avó carinhosa, mas nem sempre essa conta fecha, a avó é permissiva demais (numa convivência diária isso atrapalha, pode acreditar), o pai se exaspera e grita, e nessas horas me pego tentado educar não apenas o filho, mas o marido, a mãe e quem mais fizer parte ou puder interferir nessa missão.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Férias 2011

Esse mês de julho será de férias, uma viagem de carro, passando por Pipa em Natal, depois Maragogi e Maceió em Alagoas. De lá passamos em Sousa na Paraíba para visitar minha irmã e depois para Várzea Alegre, como é de praxe, para o descanso e os paparicos da minha queridíssima sogra D.Nazaré.
Serão dias de praia e sol (torcendo para que não chova) e do merecido retiro em contato com a natureza, sem abdicar de um certo conforto, é claro.
Na volta, trarei muitas fotos e histórias divertidas para contar para vocês.
Será cansativo, eu sei, porque o menino está num ritmo bem acelerado, mas revigorante também.
Inté mais.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Conto de fadas

Conhece a menina no parquinho.
Ela usa vestido listrado e tiara em forma de coroa na cabeça.
Brincam no parquinho de areia e ele a chama de princesa.
Depois de algum tempo, ela, tentando chamar sua atenção, o chama de príncipe.
Os dois tem pouco mais de 3 anos de idade.
De cima do escorregador ela grita:
- Vem príncipe, eu já cheguei, você está perdendo tempo.
Decidida, sabe o que quer e como chegar.
O que um faz o outro imita.
Depois que ele tirar a camiseta, ela tira o vestido.
E continuam a brincadeira.
A tia chega, e vão embora. Ele estava em outro brinquedo e não viu.
Depois de olhar para os lados procurando a amiga, olhar perdido, pergunta:
- Cadê minha princesa?

Os personagens são Davi, meu filho, e Sara que descobri depois ser sobrinha de um casal amigo, Flávia e José Ricardo, pais da linda Luiza.

Perna curta?

Ultimamente, tenho pensado bastante no motivo que leva alguém a mentir.
Minha primeira impressão (e segunda e terceira), a natural, contra a qual estou tentando lutar, é de achar que a pessoa que fala comigo está sendo sincera, está dizendo a verdade.
Só depois, se for realmente crucial saber a verdade é que tento ponderar o que ouvi. Mas aí já é tarde, aquele momento do olhar nos olhos, do ouvir a voz, e notar algum sinal que indique um mentira já passou.

Além da minha total falta de desconfiança e de vivência com mentirosos, tenho dificuldade de entender a razão da mentira. Talvez uma visão distorcida dos fatos, da vida, talvez para obter alguma vantagem, mas aí eu recorro sempre aquele dito que diz que "mentira tem perna curta", então se a mentira será, cedo ou tarde, descoberta, para que mentir?
Estou agora numa maratona de entrevistas com candidatas a babás, e caio sempre na armadilha que minha personalidade armou pra mim, a de acreditar.
Essa minha ingenuidade, chamando assim para ser menos rígida comigo mesma, se estende a todos os que cruzam meu caminho.
É claro que a vivência com determinadas pessoas nos mostram como elas são, e nos fazem acreditar ou desacreditar nelas, mas não uso isso como bagagem para futuras relações e nem generalizo.
Estou começando a achar que isso é um defeito meu. Gostaria de olhar para uma pessoa e sacar de cara de que tipo de pessoa se trata, com faz o Eduardo. Às vezes acho que ele exagera, eu, ao contrário, sou muito complacente.

domingo, 12 de junho de 2011

Até o fim

- Você podia ficar comigo até o fim dos tempos.
- Olhe que estão dizendo que o fim do mundo será em 2012.
- Então se o mundo acabar em 2012 você está livre, caso contrário, ficamos juntos até o fim, de um de nós. Isso pode ser em vinte, trinta anos ou muito mais.
- Ou amanhã, quem sabe?
- Quem sabe?
- Vem cá, vem.

Inspirado no livro na cabeceira: 64 Contos de Rubem Fonseca.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

E agora José, pra onde?

"Algumas vezes você perde um excelente técnico para ter um gestor mediano."
Essa frase tem me perseguido ultimamente.
Não que eu tenha sido chamada para uma outra função, só os comentários brincalhões (e às vezes maldosos) dos colegas de equipe quando me envolvo na gestão de algum projeto.
Apenas acontece que as opções para crescimento na empresa se resumem a duas: assumir a liderança de uma equipe ou ir para uma área de negócio.
Nenhuma das duas opções me agradam no momento porque volto sempre a frase em questão.
Na verdade, a vontade era de que houvesse uma forma de ascender dentro da função e perfil atuais.
Talvez o que atrapalhe seja essa formação não-especialista, mais ampla, baseada nas antigas necessidades de TI, do profissional que se envolve em quase todas as fases - análise, projeto, implementação, implantação e até a tal da gestão - mas que não é expert em nenhuma em particular.
Aquele profissional que sabe de tudo um tanto e que não se acanha nem teme botar a mão em nada, mas que não se especializou em nada disso. Fica até difícil nomear.
A nova geração vê como desvantagem isso que os antigos vêem como vantagem.
Um chefe antigo, e velho amigo dizia brincando, ou não, que eu era pau pra toda obra e que no aperreio me escolhia porque o trabalho saia bem feito e rápido. Não sei mais se isso é bom para mim.
O porque dessa preocupação agora é a boa e velha questão econômica, aquela coisa que por si não traz felicidade mas ajuda um bocado. Nem sei também se sou a única solução para esse problema, mas como sempre, eu chamo toda a responsabilidade para mim.
Acho que precisarei consultar meus oráculos profissionais para tentar resolver esse enigma.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Agitado

Na consulta com o otorrino que faria a cirurgia para retirar adenóides e amígdalas do Davi, ele nos explicou que a adenóide muito grande atrapalha a respiração e que o fato de o Davi não dormir bem à noite poderia explicar até essa agitação dele.
No retorno, uma semana após a cirurgia, Davi entrou no consultório gritando, apertou a mão que o médico ofereceu, sentou na cadeira para ser examinado, dizendo que não ia doer nadinha e conversando, e tudo ao mesmo tempo. O médico após examiná-lo e dizer que estava tudo bem, boa cicatrização, e de fazer as recomendações para os dias seguintes, disse calmamente:
- É, acho que não era a adenóide não, ele é agitado assim mesmo.
É assim meu menino, agitado, falante, animado, qualquer novidade, até uma consulta médica, o deixa feliz, acho que também por causa dos dias que está somente em casa, sem escola, sem muitos passeios, ele está mais eufórico que nunca.
Às vezes eu preciso pegá-lo pelo braço e chamá-lo a um canto, conversar, que não é assim que se comporta naquele lugar, que isso, que aquilo, mas só às vezes.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Referências de moda nesse mundão

Moda e beleza. Proliferam blogs, difícil selecionar, como tudo mais na internet.
Agora, depois de velha, resolvi me dedicar mais um pouquinho e ler sobre, e tentar me atualizar, e sofisticar um tiquinho esse meu estilo esportivo largadão.
Nessa caminhada conto com a amiga e estilista Juliana Xavier (grife JuXavier) com suas belíssimas criações e  seus vídeos sobre maquiagem (um deles aqui), com a produtora de moda Joana Maranhão que dá dicas excelentes em seu blog como essa aqui e agora, com o recém criado, Beleza Sem Padrão da amiga e afilhada Rafaela Figueredo que quer mostrar que é possível ser bela com pouco e criar o seu próprio padrão de beleza.
Outro site que acesso vez em quando é o Hoje Vou Assim.
Taí nesse mundão o que eu paro um pouquinho para olhar.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Uma segunda-feira como outra qualquer

De manhã cedo a caminho do trabalho, preocupada com a nova babá, se vai saber cuidar do Davi, se vão se dar bem, se é honesta, torcendo para que dê certo desta vez.
A caminho do trabalho, vejo uma garota com sapatos vermelhos de saltos altíssimos, vai desfilando, e se estiver atrasada pro trabalho, não parece preocupada, parece feliz em chamar atenção.
Na volta do trabalho, depois de uma consulta, a avenida movimentada, início da noite, trânsito intenso, mas ainda fluindo, carros de luxo, importados, carros velhos, carros com anúncio de vende-se. Passo ao lado da empresa onde trabalha uma amiga, digo um alô em pensamento ("oi amiga Alessandra").
Passo em frente ao Mercadinho Japonês, faz tempo não compramos frutas lá, por comodidade estamos comprando no supermercado perto de casa.
Vejo a menina de shortinho, tênis, cabelo solto, caderno na mão, para a aula de inglês?
Carro parado, e eu escrevendo, dez metros e uma eternidade de casa, a espera de algum motorista educado que não feche o cruzamento.

Poeminha da dor de cotovelo

Saber que se olha no espelho, toma banho, penteia o cabelo, sem lembrar de mim,
saber que se veste, sai, dirige, trabalha, estuda, sem lembrar de mim,
saber que se desveste, ama, ri e chora, come e bebe, e tudo sem lembrar de mim.
Saber que vive e é feliz sem lembrar de mim dói ainda mais que saber que não me ama, mais.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Grande demais

Historinha para Mateus, tia Inez, tio Wellington, tia Lúcia, tio Nilton, tia Jane, vovó e todos os que cabem nesse imenso coração do Davi.
Brincando com Davi de noite, ele olha pra mim e pergunta:
- Cadê meu papai, eu quero meu papai.
- Está na faculdade Davi, chega já.
- Não gosto de você, quero meu papai.
Olhei para ele com cara de riso e continuamos brincando. Recebi muitos abraços apertados depois dessa conversa.
Mais tarde enquanto o preparava para dormir, relembrei a nossa conversa e disse:
- O Davi tem um coração grande, cabe mamãe, papai, vovó, quem mais?
- Mateus.  (primo)
- A tia Inez, tio Wellington, quem mais? (pais do Mateus)
- Tia Jane. (irmã do papai)
- E a tia Lúcia. Você lembra da tia Lúcia que viajou para Portugual?
- Foi comprar o trem.
Ri muito e me emocionei, porque ele lembrou que no retorno da primeira temporada em Portugal, Lúcia e Nilton, trouxeram para ele trenzinhos de um desenho animado que ele gosta. E isso foi há quase um ano.
Davi pediu os seus trens. Fomos ao seu quarto e ele trouxe todos, os que ganhou dos tios e os que compramos por aqui, e levou para a cama.
Um coração grande demais e a memória heim?
Sempre nos surpreendendo.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Cirurgia

Eu nunca passei por uma, quer dizer, a única foi o parto cesária do Davi.
E agora meu filho, anestesia geral, para retirada das adenóides e amígdalas. Não vou falar dos motivos da cirurgia. Depois de muito conversar, mas principalmente de considerar a recomendação das médicas, pediatra e otorrino, nas quais confio, e apesar de minha mãe e irmã serem terminantemente contra, marcamos a consulta com o cirurgião e no dia seguinte estávamos no hospital.
Vê-lo ser sedado foi terrível e a espera, angustiante, ouvir o choro de outra criança também. Quando ouvi o chorinho e a vozinha rouca do Davi chamando a mamãe, pedi para entrar, em pouco estava com ele no colo, num abraço apertado. Ainda confuso, e enjoado, ele tentava arrancar com a mão o tubo e o acesso usado agora para o soro e depois para o antibiótico. Depois de vomitar, ele se acalmou e cochilou no meu colo.
A despeito de tudo, ele está sendo um menino muito bom, ficou calmo após a cirurgia, quando a dor aumentava vinha para meu colo e cochilava choramingando.
Ainda não está falando normalmente, nos primeiros dias eram só gemidos e gestos para mostrar o que queria.
Fiquei nervosa com a recusa inicial de se alimentar, mas Davi é um menino fora do comum. Hoje, terceiro dia após a cirurgia, devia estar começando a tomar sopas mais grossinhas e mingaus, mas não teve conversa, pediu comida, arroz, feijão e frango e comeu bem.
Algumas pessoas podem pensar que fui fria, quase não chorei, mas durante todo esse tempo, reuni as forças que tinha e as que não tinha para passar segurança para meu filho, para que ele sinta que estamos aqui, e que tudo ficará bem. Como não há uma mágica que permita às mães sofrerem no lugar de seus filhos, tentei ao menos, confortá-lo e dar muito carinho e amor.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Muitos filhos



A família ideal para mim sempre foi a numerosa, com muitos filhos.
Tenho duas irmãs e gosto muito delas e de ter irmãs.
Sonhava ter três ou quatro filhos.
Mas depois de perder o primeiro filho aos 24 anos, e de ficar diabética, demorei muito para decidir engravidar novamente.
Davi nasceu quando eu estava para completar 35 anos. E agora não penso em ter outro ou outros filhos.
Adoro crianças, bêbes, mas quando imagino passar por tudinho de novo, não tenho mais forças, disposição, não sei.
Adoro ser mãe e posso dizer que agora me sinto bem confortável nesse papel, mas os primeiros meses foram difíceis. Quase não curti, tamanha era a tensão, preocupação, inexperiência.
Diz uma tia para não pensar que todo penso é torto. Mas eu pensei muito antes de ter o Davi e não seria diferente com um segundo filho.
Sempre achei que filhos devem ter irmãos, que ter irmãos é bom e necessário.
Mas um outro filho em função do primeiro, para ele, por ele, não é assim que deve ser.
Admiro e invejo quem tem uma prole maior.
E como tudo que é definitivo assusta, digo "o futuro a Deus pertence".

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Uma eternidade

Pois sim, acho que demoro excessivamente para superar meus traumas, perdas, desilusões.
Não que eu fique falando deles sempre, quem sabe deles sou eu.
Estão aqui dentro bem guardados, e ninguém sabe o que significam para mim, apenas eu.
Estava hoje mesmo falando disso com a afilhada Rafaela, nova moradora da minha cidade natal, Brasília. Cidade que completou 51 anos dia 21 de abril.
A cidade da minha infância e início da adolescência, dos monumentos, parques, quadras, entre-quadras, moramos em vários lugares antes da casa de onde saímos para o aeroporto e daí para Fortaleza.
De todos tenho recordações felizes. Uma infância feliz.
Saímos de lá há 27 anos e não voltei mais. Mamãe voltou, minha irmã voltou. Mas eu não.
Porque o medo? Não pelo que vivemos lá, mas por tudo que aconteceu depois. Por causa do corte brutal. Hoje posso dizer que enquanto se tem pai e mãe, qualquer lugar é lugar, para nós pouco importava lá ou cá. Adapta-se, faz-se novos amigos.
Mas a perda que veio depois tornou a cidade, os endereços onde moramos, os lugares de nossos passeios, lembranças do pai vivo, e o vazio da falta dele desce difícil pela garganta com um nó imenso.
O despojo de tudo que era nosso quando ele era vivo. O declínio que veio depois que saímos de lá.
Não, eu não poderia ser uma turista despreocupada em minha cidade natal.
Por isso o medo. E também porque demoro excessivamente para superar meus traumas, perdas, desilusões.
Eu é que sei deles, e o que significam para mim.