terça-feira, 10 de agosto de 2010

Tapinha educativo?

Está sendo chamada de lei da palmada. O Estatuto da Criança e do Adolescente já proibia maus-tratos, a nova lei prevê penalidades para os castigos corporais e tratamento cruel e degradante contra crianças e adolescentes.
Palmadas educativas, questão cultural, alguns são contra por achar uma intromissão indevida do Estado num assunto familiar e particular, outros apoiam a ideia mas admitem não cumpri-la.
Nenhuma pessoa de bem pode concordar com agressão, física ou verbal, contra uma criança.
Trago para mim e lembro das vezes em que recorri a esse expediente. Com certeza, nas cinco vezes em que aconteceu, foi por eu ter perdido a calma, quis impor meu ponto de vista e não ser mais contrariada.
Como, num momento de descontrole, causado pela raiva ou pelo susto, medir a força da palmadinha?
E qual foi o resultado? Meu filho, depois do susto e do choro, me abraçava e seu olhar me dizia que ele queria ter certeza de que eu ainda gostava dele.
O que a palmadinha ensinou? Que aquela era uma situação de risco ou que ele deve ter medo da mãe, medo da mãe ficar com raiva?
Poderia dizer que o fiz para evitar que ele sofra depois, evitar uma ameaça a sua saúde física. Mas as custas de que? De sua auto-estima, de sua saúde psicológica?
Uma vozinha diz: não seja tão dura consigo mesma, as crianças sobrevivem a tudo isso, e crescem, aprendem e serão adultos felizes. Mas quantas vezes eu ouvi meu marido contar de uma palmada que nunca esqueceu, e as imprecações e os insultos que minha mãe usava para nos convencer a obedecê-la, ainda vivas em minha memória.
Usar de atos e palavras para subjugar, ofender e oprimir ou dialogar com uma criança pequena como se faz com um adulto e esperar que ela entenda todos os porquês?
Tem que existir um meio termo entre o militar e o hippie.
Precisamos encontrar uma forma de mostrar que é sempre bom respeitar e algumas vezes é preciso obedecer, sem destruir a auto-estima, a confiança e a cumplicidade.

3 comentários:

mfc disse...

É que não podia concordar mais consigo!

Denise disse...

Oi Neusinha! É a Denise, da tia Regia, parabens pelos textos, sao otimos. Me manda teu email e o das meninas pra eu poder te incluir na lista das primas. Beijos

Lucinha disse...

Oi Neusinha,

Gostei de passear pelo seu blog de novo. Gostei muito do texto do tapinha. Bota pra pensar. Mas, por enquanto, não posso falar muito, porque não tenho filho. Aí fica tudo muito idealizado, né?

Engraçado o texto da paquera, hehe.

Beijo
Lucinha