sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Gorda

Ia andando na rua preocupado com o carro no conserto.
- Marcelo!
Reconheci a voz, mas quando virei o rosto para ver quem me chamava, tomei um susto.
- Suzana! Quanto tempo!
Conversamos sobre trabalho, casamento, filhos, conversa rápida, encabulado. Eu completamente desconcertado.
Caramba, como está mudada, na verdade está enorme.
Quando namoramos, dez anos, é, acho que faz uns dez anos, ela era uma sílfide.
Magra, pernas grossas, sem barriga. Adorava esportes, calças jeans e camisetas.
Foi isso que me agradou logo de cara, a elegância dela.
Não era aquela beleza que chamava atenção, era discreta, usava sempre os cabelos presos, não usava decotes, mesmo porque tinha seios pequeninos, não andava rebolando, não usava roupas chamativas, coloridas, nem perfurmes fortes.
Era elegante, alta, magra, tudo durinho e no lugar.
E muito simpática, um sorriso e uma risada que me tiravam do sério.
Depois que terminamos não tive mais contato.
Soube quando se casou, soube quando engravidou, quando teve filho.
Lia seu blog vez ou outra.
Mas nunca poderia imaginar, não havia pistas, nem ninguém comentou, que ela havia engordado tanto.
Amigos da onça! Alguém podia ter me dito, assim eu poderia ter disfarçado a surpresa de vê-la tão diferente.
Fico pensando o que aconteceu, o que acontece com todos? Casamento, filho, doença? Não sei.
Eu até emagreci depois que nos separamos, acho bacana ser magro, esportivo. Só tinha me esquecido e ela me fez lembrar.
Daí pra frente todas as minhas namoradas eram como ela.
Passei dias, meses lembrando da decepção de vê-la tão diferente.
Preferia guardar a lembrança daquela linda mulher que conheci e amei.
Tenho certeza que isso não vai acontecer comigo, não vou deixar.

Um comentário:

Juan Moravagine Carneiro disse...

Gosto do seu estilo...

abraço