segunda-feira, 2 de maio de 2011

Uma eternidade

Pois sim, acho que demoro excessivamente para superar meus traumas, perdas, desilusões.
Não que eu fique falando deles sempre, quem sabe deles sou eu.
Estão aqui dentro bem guardados, e ninguém sabe o que significam para mim, apenas eu.
Estava hoje mesmo falando disso com a afilhada Rafaela, nova moradora da minha cidade natal, Brasília. Cidade que completou 51 anos dia 21 de abril.
A cidade da minha infância e início da adolescência, dos monumentos, parques, quadras, entre-quadras, moramos em vários lugares antes da casa de onde saímos para o aeroporto e daí para Fortaleza.
De todos tenho recordações felizes. Uma infância feliz.
Saímos de lá há 27 anos e não voltei mais. Mamãe voltou, minha irmã voltou. Mas eu não.
Porque o medo? Não pelo que vivemos lá, mas por tudo que aconteceu depois. Por causa do corte brutal. Hoje posso dizer que enquanto se tem pai e mãe, qualquer lugar é lugar, para nós pouco importava lá ou cá. Adapta-se, faz-se novos amigos.
Mas a perda que veio depois tornou a cidade, os endereços onde moramos, os lugares de nossos passeios, lembranças do pai vivo, e o vazio da falta dele desce difícil pela garganta com um nó imenso.
O despojo de tudo que era nosso quando ele era vivo. O declínio que veio depois que saímos de lá.
Não, eu não poderia ser uma turista despreocupada em minha cidade natal.
Por isso o medo. E também porque demoro excessivamente para superar meus traumas, perdas, desilusões.
Eu é que sei deles, e o que significam para mim.

3 comentários:

mfc disse...

Deixamos sempre alguma coisa para trás na vida!!
E essas memórias acompanham-nos.

Por que você faz poema? disse...

Cada conhece e é dono de sua própria dor.

Camila disse...

Cada um tem seu jeito, não se preocupe com isso.