sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Dirigindo


Bem, na falta de um fotógrafo particular (marido seria a primeira opção, mas ele não gosta muito de me fotografar), e quando quero uma foto minha, recorro ao auto-retrato. O foco às vezes falha, mas, taí, sem mais tratamentos, com as marquinhas do tempo visíveis. Dirigindo, a caminho do trabalho.

sábado, 19 de novembro de 2011

Papai sem bigode

Eduardo me avisa que vai tirar o bigode.
Davi não sabe e quando chega da escola e vê o pai diferente diz:
- Esse não é o meu papai, é o papai de outro menino.
E se joga na poltrona querendo chorar.
Só depois de ouvir a voz do pai e ganhar muitos beijos e cheiros, e do pai chamá-lo pelo apelido carinhoso que só o pai usa é que Davi se acalma, sorri e diz:
- É o meu papai sem bigode.
E ri quando o pai explica que o bigode vai crescer de novo.
E já cresceu, para alegria do Davi e da mamãe também.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Abomino

Abomino e corro léguas de baratas, fanfarrões, sarcásticos e incoerentes.

Bicho mais nojento não existe, com toda sua agilidade para se esgueirar, e fugir da chinelada, para subir em tudo. Qualquer vãozinho, qualquer espaço serve de esconderijo. E quando voa então?

Fanfarrão segundo o dicionário é aquele que alardeia valentias próprias, porém falsas ou exageradas, um impostor. Alguém que se gaba, enche os peitos para dizer "eu sei", "eu faço" e na hora H não faz, amarela, tira o corpo, não assume.

Sarcasmo - ironia amarga e insultuosa, escárnio - mordaz, dito em tom de brincadeira, mas que tem objetivo claro de aniquilar, magoar, ofender. O que me fez lembrar um trecho de uma música de Pe.Zezinho que diz "Palavra é como pedra, preciosa sim, quem sabe o valor cuida bem do que diz. Palavra é como brasa, queima até o fim, quem sabe o que diz há de ser mais feliz."

Só posso exigir aquilo que consigo praticar, do contrário é incoerência, contradição. "Faça o que eu faço e não o que eu digo" não cola mais nem com crianças que desde cedo entendem isso e cobram coerência dos pais, avós, professores e quem mais conviver com elas. Duro aceitar que alguém peça a você para agir de uma forma que ela mesma não é capaz de ou não quer.

Pai fera

Quer ver o Eduardo zangado, mexa com o filho dele.
Dia desses, num aniversário, Eduardo ficou olhando o Davi brincar na piscina de bolinhas com outros coleguinhas. Davi foi empurrado e revidou. A mãe do coleguinha chamou a atenção do Davi dizendo que o filho dela era um bêbe.
Eduardo mais tarde me contou, indignado:
- Neusa, o menino também tem 3 anos, mas o Davi tem o dobro do tamanho dele.
Eduardo sente que o filho foi tratado com injustiça.
Em parte Eduardo teve razão, não para se zangar com a mãe da criança, é claro, mas porque o Davi não tem obrigação de ser mais maduro que o colega da mesma idade.
Eu, de minha parte, distribuo carinho e bronca para todos - até agora nenhuma mãe brigou comigo por isso.
Mas sempre falo mais com o meu filho, insisto para que ele seja cuidadoso nas brincadeiras, para não se machucar, nem machucar os(as) amigos(as).
Acho que também chateou Eduardo, o fato da mãe vir quando o filho chorou e tirar conclusões levando em conta o tamanho do meu bebezão, sem saber ao certo  e sem questionar o que tinha acontecido.
A amiga Mayra, mãe experiente de três, diz que precisamos deixar as crianças se virarem sozinhas, elas acabam se entendendo, ela só aparece quando a coisa fica feia.
Agora eu dizer isso pro papai texugo, nem pensar.

ps: Apesar da aparência dócil, os texugos podem ser animais ferozes para defender seus filhotes.

Davi punk

As meninas sendo penteadas, lacinhos, presilhas.
Davi diz que também quer um penteado.
Eu achando que era só para meninas.
A profissional mostra fotos de penteados para os meninos.
Davi escolhe esse de punk, e na cor verde.
Já sabem: fez o maior sucesso. O outros meninos, mais tímidos, animaram-se. Em minutos, a festinha de aniversário estava cheia de punks mirins. E princesas, é claro.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Para Neusa no futuro

Hoje de manhã Davi buliu numa gaveta de fotos e pegou dois envelopes, um com fotos recentes e outro com fotos antigas (ele sempre leva alguma coisa pra escola e chegando lá me devolve para eu guardar).
Entre as fotos, uma em que estou vestida para um casamento, usando o conjunto vermelho que usei em vários casamentos, magrinha - a roupa ficava até folgadinha. Final do ano passado fui a um casamento com a mesma roupa, que mandei afrouxar um pouco e mesmo assim ficou apertadíssima.
Na época em que tirei a foto não achei muito legal: braços fortes para corpo magro, pernas finas. Hoje já acho que estava muito bem.
Que será que vou achar quando vir uma foto de hoje daqui a 7 ou 10 anos? Uma foto como essa aí ao lado.
O tempo é o tempo, deixa marcas.
Não acho que a idade nos impeça de melhorar - em alguns aspectos - mas dificulta, e algumas marcas aparecem e ficam mesmo, e é bom que seja assim. Sou criticada quando comento sobre a não tão boa forma física, celulites e gordurinhas (não aparentes ?!), mas a comparação é com minhas versões anteriores, e não com qualquer outra pessoa da minha idade ou não.
Então fica aqui o registro.
Neusa, quando vir a foto no futuro: Essa era você alguns anos atrás (38 anos, 1,72m, 66kg), que acha?
Hoje estou achando um tanto inapropriado publicar uma foto minha de shortinho: tenha vergonha!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ele tem pai

A terapia me ajudou a perceber que eu estava repetindo em casa algo da minha infância e adolescência.
Mesmo antes do papai morrer ele já estava ausente do dia a dia da família, saúde, educação, carinho, valores e regras, tudo ficava a cargo da mamãe.
Quando papai estava em casa era festa, férias, novidade - papai na cozinha, papai brincando, papai levando pra escola - mas, por mais que ele ficasse conosco o tempo todo nesses períodos, não era possível dividir as responsabilidades entre os dois igualmente, por causa dos muitos meses ausente. Depois da morte dele, mamãe assumiu tudo, dividindo comigo e com Inez - as mais velhas - algumas responsabilidades.
O que só agora descobri é que eu estava tentando, como sempre costumo fazer em quase tudo, assumir totalmente a responsabilidade pelo Davi. Não permitindo ou não incentivando Eduardo a assumir seu papel de pai. Talvez porque eu não tenha essa experiência bem clara.
Mas aí é que está a incoerência, o Davi tem pai, ele está presente, porque privá-lo de ter do pai tudo que o pai pode dar?
Só eu, a mãe, sei dar o medicamento? Só eu sei contar histórias?
É subestimar demais a inteligência e capacidade dos pais, eles podem tudo, se assim quiserem.
Algumas vezes aceitamos situações que não deveríamos aceitar, afinal se pai e mãe passaram o dia no trabalho, porque a mãe faz a tarefa com o filho, enquanto o pai assiste a TV ou acessa a Internet?
Entendi que devo permitir e incentivar o Eduardo a estar presente sempre, em qualquer situação, em todos os momentos. E autoridade de pai é algo muito importante, essencial.
Não existe uma divisão rígida entre o que eu faço e o que o Eduardo faz. É claro que vai chegar um momento em que pai e filho, por serem homens, estarão mais próximos em alguns assuntos. Mas ainda não é nosso caso.
Esse é o nosso momento de fazer escolhas em favor do Davi. Chegará o tempo em que ele não precisará de nós como hoje, será independente.
Esse é o momento de pai e mãe participarem da vida do filho com uma dedicação ferrenha. Pode parecer cansativo, mas na verdade é gratificante.