Acho que, a partir da morte de meu pai, me via como vítima, carregando um estigma de sofrimento. E essa visão distorcida também se estendia às pessoas que compartilharam comigo essas dores: minhas irmãs, minha mãe, meu marido. Acreditava que tais sofrimentos me tornavam melhor e mais forte que as pessoas que não vivenciaram perdas e traumas iguais aos meus. Pura ilusão. Eu sou tão frágil e tão forte quanto qualquer pessoa pode ser em determinado momento da vida.
Hoje eu sei que não sou apenas a órfã de pai assassinado, aquela que tentou prover em lugar do pai, a filha de mãe esquizofrênica, a mãe de um filho morto no ventre. Eu sei, isso tudo junto assusta e me assustou.
Eram essas as cores com que eu me definia. Que maneira mais triste de se ver, não? Nenhuma alegria ou conquista era suficiente para colorir essa pessoa. Tudo isso faz parte da minha história, e é claro que faz parte do que eu sou hoje, mas não me define.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
sábado, 15 de junho de 2013
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Sapato fechado = sofrimento
Posso dizer que o único sapato fechado que usei foi o da escola, sim eu ainda usei o sapato boneca quadradinho com meia e sainha de pregas.
Mas, desde então, todas as vezes que tentei usar sapato fechado, desisti por causa dos terríveis calos e desconforto extremo que me causam. Já fiz várias tentativas. A única sapatilha que consigo usar, depois de gastar com outros modelos, é uma de um couro bem molinho, e depois dessa não encontrei outra similar.
Estou estranhando um pouco isso de usar sapato,
principalmente este modelo que escolhi (dentre os
poucos disponíveis na loja). Nem sei bem que
roupas usar com ele. Mas a ideia é evoluir para modelos
mais bonitos, sempre com conforto.
Hora de dormir
Todos, ou a maioria de nós, tem um ritual para dormir. Aos 5 anos, no ritual do Davi, depois do banho e dos cuidados de higiene, uma, ou duas, ou três historinhas, às vezes uma brincadeirinha de chamego, e depois de algumas reviradas na cama (a quantidade é inversamente proporcional a quão cansativo foi o dia), o tão esperado sono.Dia desses, ele inventou uma brincadeira de esconder, cabeça debaixo do travesseiro:
- Mamãe, onde está o nariz?
- E o cotovelo?
- E onde está o rosto?
- As bochechas, a boca, ...., os pés, aos mãos?
- É um jogo de adivinhações mamãe!
E a cada pergunta, eu, fingindo que na penumbra do quarto não conseguia ver nada, errava tudo, e tocava nas mãos quando ele perguntava pelos pés, no joelho quando perguntava pelo cotovelos, no umbigo quando perguntava pela boca e aproveitava para beijar, cheirar e chamegar bastante.
Quando ele finalmente dormiu, fiquei pensando em como são gostosos esses momentos e tentando me lembrar de como era quando ele era mais novo, ainda bebê. Lembrei que não relaxava, em momento algum, sempre preocupada com os cuidados, com os horários, e não aproveitei.
Vivia estressada e porquê? Porque não estava confortável com muitas coisas ao meu redor, minha mãe me vigiando a cada minuto (pelo menos era assim que eu me sentia), uma babá que quando eu chegava do trabalho se aboletava no meu sofá, um pai que não compartilhava comigo os cuidados com o bebê, mesmo porque eu não permitia (afinal só eu sabia cuidar do meu filho), a casa não parecia mais ser minha, tudo girava em torno do Davi e suas necessidades, e eu toda amarrada: tem que comer hora tal, tem que dormir hora tal, e não fazia nada antes dele dormir. Porque tanta rigidez, porque eu não brincava com ele até ele estar mais cansadinho ao invés de ficar balançando aquela rede?
Depois da rede em cima da cama, ele veio dormir em nossa cama, e aí da-lhe bronca pra ficar quieto, que estava na hora. Até que aos quatro anos, ele passou a dormir em seu quarto, em sua cama. Raras vezes, acorda assustado e pula para nossa cama e nessas raras vezes a novidade é recebida com alegria pelos pais.
Tenho que admitir que não é apenas o fato de ser mãe que me ensina e me faz evoluir, a terapia está sendo muito importante para que isso ocorra e para que eu tome as rédeas da minha vida. Estou aprendendo a ver a vida com mais leveza e flexibilidade, e com mais clareza do que é responsabilidade minha e do que não é. E de que há sim muito espaço para mudanças, para melhorar minha vida e dos que me cercam, e de que eu posso e devo provocar tais mudanças.
Esse texto O lado não falado da maternidade é bastante esclarecedor e tem relação com o que contei nessa conversinha.
terça-feira, 21 de maio de 2013
sábado, 4 de maio de 2013
Tufão
Cachorrinho que Davi adotou em nossa última visita ao sítio da vovó Nazaré. Várzea Alegre, Ceará, Março de 2013.
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